Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Os 35 restaurantes que mais gostámos de descobrir em 2016

Comer e beber

Cozinha libanesa, peruana, japonesa, vietnamita, italiana e portuguesa. Pratos simples ou de autor, para degustar em doses individuais ou para partilhar. Eis uma viagem pelos restaurantes que abriram em 2016 em Lisboa, no Porto, mas também na Vidigueira ou na Póvoa de Varzim

Restaurante Blini, no Porto, do chefe José Cordeiro

Restaurante Blini, no Porto, do chefe José Cordeiro

Lucília Monteiro

Cozinha do mundo

A viagem pelo mundo dos sabores internacionais começa em Lisboa, mais concretamente no Cais do Sodré, e tem duas paragens gastronómicas, uma no Muito Bey, para se provarem os pratos libaneses, outra numas portas mais ao lado, para se experimentarem os sabores peruanos no Segundo Muelle. O percurso continua pela cozinha niçoise do L’Anisette e pela sul-americana no restaurante do chefe Chakall, o El Bulo. Siga-se pelos sabores italianos: em Lisboa, há várias moradas novas a ter em conta, como a pizzaria Glory, que fica ao pé do Elevador da Glória, o Il Matriciano Al Mare e o l’Italiano, no El Corte Inglés; já no Porto, o RT merece o destaque, principalmente pela focaccia, o tradicional pão achatado italiano feito de azeite e alecrim. E, depois do êxito alcançado em Lisboa, abriu em Guimarães o primeiro “franchisado” da Luzzo, uma pizzaria “pura e dura” que pretende contrariar o domínio da comida regional na cidade minhota. E, já que estamos a norte, dê-se um salto à Póvoa de Varzim que, depois de Leça da Palmeira, acolheu o mais novo membro do grupo Los Ibéricos, o Lota Ibérica, onde se pisca o olho à cozinha espanhola, por supuesto.

Restaurante Nómada, em Lisboa

Restaurante Nómada, em Lisboa

Tiago Miranda

Restaurante Pap'Açorda, em Lisboa

Restaurante Pap'Açorda, em Lisboa

Luísa Ferreira

De regresso a Lisboa, provámos no Miss Jappa, pratos do novo e velho Japão, país que nos deu a gastronomia servida também à mesa do Aron Sushi, o segundo restaurante do discípulo de Takashi Yoshitake, do Nómada, aberto pela mão de dissidentes do Sushic, e do Koppu, especializado em sopas com base num caldo de legumes, ovos e massa. Do Oriente, Kiko Martins trouxe para O Asiático receitas indianas, coreanas, tailandesas e vietnamitas. Também na gastronomia daquele lado do mundo se inspirou o restaurante Bao, com os pães bao recheados de forma criativa.

Cozinha tradicional portuguesa

Já leva quase um ano a dar-nos a provar receitas especializadas nas dietas paleo, vegetariana, vegan e crudívora, a cafetaria Água no Bico, a funcionar desde janeiro no Polo Cultural Gaivotas, em Lisboa. Noutro registo, mas sempre com o que de melhor temos na gastronomia portuguesa, o Café Garrett, instalado no foyer do Teatro Nacional D. Maria II, serve comida de conforto e de memória, cozinhada pelo chefe Leopoldo Calhau. E, mantendo a boa cozinha portuguesa com um salutar toque de inovação, o Pap’açorda fechou num lado e abriu noutro, mudando-se para o Mercado da Ribeira.

Novidade é também o Bairro do Avillez, do chefe de cozinha José Avillez, inaugurado em agosto, no Chiado, com sabores portugueses. Uma das aberturas mais faladas e esperadas de 2016, sem dúvida. Não muito longe, no restaurante Bagos Chiado, liderado por Henrique Mouro, ficámos a saber que o arroz pode estar presente em todos os pratos, das entradas às sobremesas. Na Mouraria, o recente Abre-Latas aposta nos sabores do atum, sardinha, enguias e carapaus, sem artifícios. Ementa diferente tem o Gioia Food Lab, onde o açúcar, o trigo e os refinados não entram. E mais permissivos são os sete restaurantes e o bar de cocktails do Palácio Chiado, com opções para todos os gostos.

Já no Zé Varunca, no Bairro Alto, reina a açorda, as migas de bacalhau e o cozido de grão. E, falando de Alentejo, viaje-se até ao restaurante da Quinta do Quetzal e conheça-se a arte do chefe de cozinha Pedro Mendes. Produtos locais, o vinho da herdade e um receituário antigo com nova roupagem são os ingredientes com que se faz esta cozinha de partilha, em Vila de Frades, na Vidigueira.

Restaurante Oficina-arte.gastronomia

Restaurante Oficina-arte.gastronomia

Lucília Monteiro

Da nossa costa vêm os peixes e mariscos usados pelo chefe de cozinha José Cordeiro, no seu novo The Blini, no Porto. Foi nesta cidade que o galerista Fernando Santos abriu o Oficina arte.gastronomia, um projeto cultural que quer criar relações entre a arte e a gastronomia. Vale a pena passar também no The Cork House, decorado a cortiça e com uma ementa de autêntica cozinha tradicional portuguesa. Do lado de lá do Douro, construiu-se de raiz, no jardim de inverno do hotel The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, um restaurante com cozinha mediterrânica e uma vista privilegiada sobre o Porto e o Douro: no The Orangerie chefia Ricardo Costa. Já Vítor Matos inaugurou o 5uinhentos & 5inco – Cozinha de Memórias, na Póvoa de Varzim, repescando alguns dos seus pratos mais emblemáticos e genuínos.

Restaurante Porto 4050, no Porto, do chefe Luís Américo Teixeira

Restaurante Porto 4050, no Porto, do chefe Luís Américo Teixeira

Lucília Monteiro

Com raízes portuguesas e uma pitada de “estrangeirismo”

Alta cozinha em ambiente sofisticado, mas descontraído, assim descreveu o crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, o novo Alma, em Lisboa, do chefe de cozinha Henrique Sá Pessoa. Outro cenário é o que se encontra n'A Bicicleta, “estacionada” no Novotel Lisboa e com petiscos inspirados na cozinha tradicional portuguesa e ainda algumas sugestões com um toque internacional. Já perto do edifício da Câmara Municipal de Lisboa, ao lado do Terreiro do Paço, descobre-se o Hotel Alma Lusa, e no seu interior a Delfina – Cantina Portuguesa, que serve as bem portuguesas iscas de vitela com molho de manteiga de salsa com limão, assim como o italiano penne salteado de legumes com molho de caril. No Café Colonial, que ocupa o piso térreo do Memmo Príncipe Real, a ementa do chefe de cozinha Vasco Lello inspira-se nas viagens que os portugueses fizeram pelo mundo. Termine-se agora esta viagem gastronómica no Porto, no restaurante Puro 4050, do chefe Luís Américo Teixeira, com cozinha mediterrânica e um bar de mozzarellas que vale a pena conhecer.