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Casais que discutem podem viver mais tempo

VISÃO Saúde

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Um novo estudo realizado por investigadores da Universidade do Arizona, nos EUA, sugere que os conflitos entre casais podem ser positivos para a saúde. Mas apenas se a intensidade dos dois ao longo da discussão for igual

Afinal, discutir com o parceiro pode ser bom para a saúde. Uma investigação norte-americana recente, publicada na revista científica Journal of Psychosomatic Medicine, conclui que os casais que discutem têm um risco menor de desenvolverem problemas de saúde e de morrerem prematuramente.

Mas atenção: estes resultados só se aplicam a pessoas que discutem na mesma medida, porque, caso alguém discuta muito e a outra pessoa contiver os seus sentimentos, o risco de morte prematura quase duplica.

A equipa analisou quase 200 casais, os dois com mais de 32 anos, com o objetivo de perceber como as discussões afetavam a qualidade das suas vidas, e percebeu que quanro maior for a diferença no estilo de resposta durante uma discussão entre o casal, maior é o risco e morte prematura.

Isto porque, como explica Kyle Bourassa, psicóloga da Universidade do Arizona, nos EUA, "um dos parceiros pode preferir discussões mais acesas, enquanto o outro pode não querer, o que vai deixar os dos insatisfeitos relativamente à forma como as discussões se desenvolvem".

Os investigadores observaram como os casais se comportavam nas discussões, ou seja, se exprimiam os seus sentimentos ou se, pelo contrário, os reprimiam. Depois disso, compararam essas atitudes com os níveis de saúde ao longo do tempo, ou se tinha havido mortes nas três décadas seguintes.

O menor risco de morte prematura foi observado em casais que expressam o que sentem, em que o marido apresentava um risco de 24% e a mulher de 18%, no início do estudo. Quando ambos os parceiros reprimiam os sentimentos, o homem passava a ter um risco de morte prematura de 35% e a mulher 18%, novamente.

Contudo, sempre que se observava uma grande diferença na atitude entre um casal, tanto o risco de um como o de outro quase duplicava: quando o membro do sexo masculino era mais expressivo, o seu risco de morte era de 51%; já o dela, era de 36%. Contudo, quando era ela a mais intensa nas discussões, o seu risco era de 28% e o do homem era de 49%.

Esta diferença de atitude nos conflitos pode provocar um stress diário constante, que vai prejudicar a saúde a longo prazo. Pelo contrário, afirma o estudo, casais que discutem da mesma forma e com a mesma intensidade tendem a manter-se mais saudáves e, até, a criar menos conflitos no futuro.