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Sinestia: O fenómeno neurológico que faz "ouvir" as cores e que é preciosa para artistas como Pharrell Williams ou Lorde

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Getty Images

De que cor é a sua música preferida? Bem-vindo ao mundo dos 10% que têm sinestesia e que incluem vários nomes famosos

A sinestesia é uma condição neurológica que provoca uma mistura involuntária dos sentidos, ou um cruzamento de perceções. Um exemplo comum é pensar em coisas como números, dias da semana ou meses associados a cores, que faz, por exemplo, que o três seja amarelo e janeiro azul.

Há cerca de 60 variações dentro da sinestesia, pelo que o mesmo número pode ter uma cor para uma pessoa e outra completamente diferente para outra. Do mesmo fenómeno fazem parte possibilidades como ouvir cores, saborear sons ou atribuir personalidades aos números, sendo que o mais frequente é associar cores às palavras.

Como não é uma doença, a sinestesia não tem qualquer tratamento.

Segundo a Harvard Medical School, cerca de 10% das pessoas têm esta condição, que, apesar de não ter uma origem completamente clara, se acredita poder derivar de uma leve sobreposição de regiões cerebrais próximas. Estudos recentes ligaram a sinestesia à genética, abrindo a possibilidade de ser ma característa heriditária. Alguns investigadores acreditam que os sinestésicos são dotados de memória e criatividade acima da média.

Nomes como Pharrell Williams ou Marilyn Monroe fazem parte da lista de sinestésicos famosos e parecem corroborar a teoria. O cantor norte-americano disse mesmo à Psychology Today que o seu sucesso na música se deve em parte ao fenómeno. "Para cada cor há um som, uma vibração, uma parte do corpo humano, um número, uma nota musical", explica.

Também Lorde falou ao The New York Times sobre as vantagens da sinestesia para a sua carreira, revelando que inspirou o seu último álbum.

Não é de admirar, pois, que, a maioria dos sinestésicos optasse por manter a característica se pudesse escolher, como afirma Simon Baron-Cohen, especialista da Universidade de Cambridge que estuda a sinestesia. "Para eles, perder isso fá-lo-ias sentir que tinham sido privados de um sentido", conclui, citado pelo The Independent.