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Uma casa vendida por 400 mil euros em Lisboa pode custar menos de 20 mil noutros concelhos

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Luis Barra

Lisboa não só tem as casas mais caras do país como é também onde estão a ocorrer os maiores aumentos dos preços. Os últimos dados do INE mostram uma enorme assimetria nas transações imobiliárias, até dentro das mesmas áreas metropolitanas.

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar

Jornalista

De acordo com os números mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), uma casa de 100 m2 no centro de Lisboa, por exemplo, nas imediações da Avenida da Liberdade, pode custar mais de 380 mil euros (foi essa a mediana das vendas nos últimos três meses de 2017 na freguesia de Santo António). Na Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, uma casa da mesma dimensão seria vendida por 13 mil euros. Quase trinta vezes menos.

Estamos a falar dos dois extremos do espectro dos preços, mas Pampilhosa não é o único concelho com uma diferença drástica face à capital. Noutros nove concelhos do país, o preço de uma casa de 100 m2 fica em linha ou abaixo de 20 mil euros, segundo a mediana dos preços por m2.

Esta disparidade seria mais ou menos de esperar, quando se compara a maior cidade portuguesa com o interior do país. Porém, mesmo dentro da Área Metropolitana de Lisboa existem diferenças assinaláveis. Por exemplo, na Moita – a 40 minutos de carro do coração de Lisboa – o preço por metro quadrado estava nos 587 euros. Isso significa que, em teoria, uma casa de 100 m2 custaria menos de 60 mil euros, o que, mais uma vez, compara com os 380 mil do centro de Lisboa.

Na Moita, os preços praticamente não mexeram entre o final de 2016 e o final de 2017, mas mesmo noutros municípios onde os preços têm aumentado há diferenças grandes para o centro da área metropolitana. No Barreiro, Setúbal e Palmela, os preços das casas são sensivelmente cinco vezes mais baixos do que nas freguesias lisboetas mais caras, com as medianas das vendas a variar entre os 700 e os 800 euros/m2.

"A Área Metropolitana de Lisboa foi a sub-região que registou a maior amplitude de preços da habitação entre municípios (1 851 €/m2): o menor valor registado foi na Moita (587 €/m2) e o maior em Lisboa (2 438 €/m2)”, pode ler-se no destaque publicado hoje pelo INE.

Outras regiões também têm amplitudes de preços assinaláveis. É o caso do Algarve, Coimbra e Madeira, onde as diferenças entre municípios ultrapassam os 800 euros por metro quadrado. Por outro lado, no Alentejo Litoral é onde existem menos assimetrias entre concelhos, com os preços a variar entre 1.065 euros/m2 , em Sines, e 829 euros/m2,em Alcácer do Sal.

Estas diferenças geográficas também se podem ilustrar quando se olha para a diferença entre edifícios novos e já existentes. Uma casa em Lisboa que já tenha sido habitada é mais cara do que uma casa acabada de construir em todas as regiões do país, exceto no Algarve e na Madeira.

No total do país, o preço mediano das casas novas fixou-se em 1.064 euros/m2, enquanto nos alojamentos já existentes esse valor ficou em 909 euros/m2.