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É viciado nas redes sociais ou em jogos online? Pode culpar os seus genes

Estudo do Dia

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Ed Jones / GettyImages

De acordo com um novo estudo, os nossos genes podem ter grande influência na forma como utilizamos os media online

As pessoas à sua volta queixam-se do tempo que gasta nas redes sociais ou em jogos online? A partir de agora, pode dizer-lhes que a responsabilidade não é sua, mas dos seus genes. Um novo estudo, conduzido por grupo de investigadores do King's College London, concluiu que a forma como nos envolvemos e utilizamos os media online se pode explicar através da informação genética.

Através da comparação entre gémeos idênticos, que partilham 100% dos genes, e gémeos não-idênticos, cuja partilha é de 50%, os autores do estudo conseguiram estabelecer uma estimativa relativa acerca da contribuição dos genes e do meio na forma como cada pessoa, individualmente, se envolve com alguns media online, como os jogos e as redes sociais.

Depois de analisarem a forma como um grupo de cerca de 8500 participantes, nascidos no Reino Unido entre 1994 e 1996, utilizava estes media, os investigadores verificaram que a herdabilidade – neste caso, o modo como as diferenças de utilização se podem atribuir a características genéticas herdadas – tem uma influência substancial no tempo gasto online.

No caso de sites de entretenimento, as diferenças de utilização devem-se 37% aos genes, nos sites educacionais 34%, nos jogos online 39% e nas redes sociais 24%. Para além disto, os investigadores constataram que quase dois terços das diferenças individuais de utilização se podem dever a fatores ambientais únicos de cada um, como por exemplo, as desigualdades no acesso a fontes de media dentro da família – uma criança ter um telemóvel e a outra não ou uma delas tem uma maior motorização parental do que a outra.

Para Ziada Ayorech, uma das autoras, este estudo acaba por pôr à prova a ideia de que as pessoas são espectadoras e utilizadoras passivas dos media. "Os nossos resultados contradizem as teorias populares sobres os efeitos dos media, que veem tipicamente os media como uma entidade externa que tem algum efeito – bom ou mau – sob os consumidores "indefesos", referiu a investigadora ao Science Daily. "Ter descoberto que as diferenças do DNA influenciam substancialmente como os indivíduos interagem com os media online coloca o consumidor no comando, que seleciona e modifica a sua exposição aos media de acordo com as suas necessidades".