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A ciência confirma: fazer amor faz-nos acreditar mais em Deus

Estudo do Dia

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CHARLY TRIBALLEAU / GettyImages

Um Estudo da Duke University concluiu que existe uma relação entre a quantidade da "hormona do amor" (a Oxitocina) no organismo e o nosso nível de espiritualidade e crença em Deus. Mais que isso, prova que a atividade sexual promove as boas relações entre a Terra e o Céu

De 0 a 10, onde colocaria o seu nível de espiritualidade? Se a resposta foi acima de oito, saiba que isso pode estar relacionado com a quantidade de amor que anda a partilhar e, sobretudo, a fazer. É que parece que a ideia de que "fazer sexo pode levar-nos ao céu" é agora cientificamente provada. A responsável: Oxitocina, a hormona do amor.

Desde há muito que se sabe que a prática sexual está relacionada com a nossa saúde e bem-estar. Ela influencia o nosso humor e também estimula algumas capacidades sociais como a confiança, a empatia e o altruísmo. A novidade agora é que pode aumentar a nossa a crença em Deus e a nossa predisposição para a espiritualidade, como prova um estudo recentemente levado a cabo pela Duke University, na Carolina Do Norte. A oxitocina é produzida no hipotálamo e é sobretrudo libertada durante o ato sexual, mas também, em menores quantidades, sempre que abraçamos alguém ou establecemos contacto fisico, por exemplo. Atua como hormona e como neurotransmissor e afeta várias partes do cérebro.

O estudo reuniu aleatoriamente 83 homens de meia idade aos quais foi administrada a hormona e um igual número que recebeu um placebo. Contrariamente ao que aconteceu no segundo grupo, o primeiro reportou uma experiência mais espiritual e isso refletiu-se, por exemplo, em emoções mais positivas durante a meditação, nomeadamente gratidão, esperança, inspiração, interesse, amor e serenidade.

Depois de ter em conta quais destes homens pertenciam ou não a uma organização religiosa, verificou-se que os testados que receberam a oxitocina tiveram mais probabilidade de afirmar que a espiritualidade é importante na sua vida e que ela tem valor e significado. Além disso, inclinaram-se mais para concordar com ideias como "Todas as vidas estão ligadas entre si" ou "há um plano elevado de consciência e espiritualidade que nos liga a todos".

Uma vez que o estudo teve como participantes apenas homens, os resultados só podem ser aplicados ao género masculino, uma vez que a hormona opera, regra geral, de forma diferente em homens e mulheres. Importa ainda esclarecer que os efeitos do estudo foram mais fortes nos participantes com uma variante particular do gene CD38 que regula a libertação da hormona no cérebro do hipotálamo para os neurónios.

Este estudo vem na sequencia de outros que já anteriormente relacionaram a espiritualidade e a meditação com o bem-estar e a saúde. A psicóloga social, Patty Van Cappallen é a responsável pela pesquisa e disse ao jornal da Universidade, o Duke Today, que estavam "interessados em compreender os fatores biológicos que intensificam as experiências espirituais", diz.

Como conclusão, aponta: "A oxitocina parece ser parte da forma como os nossos corpos suportam as crenças espirituais".

Funções da hormona do amor:

- Ajuda a combater o stress

- É usada em anti-depressivos e ansióliticos

- É frequentemente administrada nos partos para provocar contrações uterinas

- Facilita a chegada do espermatozoide ao óvulo no momento da fertilização

- Controla parte do prazer do orgasmo

- Favorece as relações interpessoais

- Reduz a sensação de medo do desconhecido

- Ajuda a estimular a intimidade

Por tudo isto, é considerada parte do quarteto da felicidade, ao lado da dopamina, da serotonina e das endorfinas.

A grande mais-valia desta hormona naturalmente produzida é que, seja em grandes ou pequenas quantidades, tem efeitos que perduram no tempo, como comprova o grupo de homens sobre os quais este estudo se debruça, que testemunharam níveis de espiritualidade mesmo depois de estarem sob o efeito quimico da hormona.

A quantidade produzida desta hormona não é, claro, a única varável que explica o nosso nível de espiritualidade e Van Cappellen alerta para o facto de os resultado não poderem, pelo menos para já, ser generalizados. Os resultados do estudo estão publicados no Social Cognitive and Affective Neuroscience.