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“Carpe diem” volta a atacar no filme "Adeus, Professor"

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Johnny Depp é o corpo e a alma de um filme insurgente sobre a urgência de viver. O filme Adeus, Professor já se estreou nas salas de cinema

O argumento, escrito com notável sentido de humor, gira à volta de uma personagem que dificilmente funcionaria tão bem sem o talento de Johnny Depp

O argumento, escrito com notável sentido de humor, gira à volta de uma personagem que dificilmente funcionaria tão bem sem o talento de Johnny Depp

A moral da história está aqui em cima, no título. E em tudo faz lembrar O Clube dos Poetas Mortos (1989), filme de Peter Weir, com um dos mais notáveis desempenhos de Robin Williams, marcante na época. Aqui temos Johnny Depp em vez de Williams e uma ancoragem bastante mais irreverente, não obstante a patinagem por lugares-comuns. Há uma premissa própria de um filme-ensaio. A Richard, um professor universitário, é diagnosticado um cancro em estado avançado, com uma projeção de seis meses de vida. Isto faz com que ele mude de atitude e modifique a forma de ver o mundo. Não se deprime em demasia nem se socorre da religião, passa apenas a ter uma conduta mais desprendida.

Apesar desta grande mensagem da filosofia universal, comum a muitos livros de autoajuda – “aproveita a vida!” –, Adeus, Professor não é um filme politicamente correto. Pelo contrário, a personagem perde o seu filtro social perante a proximidade da morte. O caminho de quem aproveita cada dia como se fosse o último passa pelo abuso de drogas e álcool ou pelo sexo ocasional, até mesmo com os estudantes. Ou seja, confunde-se a proximidade da morte com uma crise de meia-idade. Tudo isso faz deste Adeus, Professor um Clube dos Poetas Mortos selvagem, ligeiramente antissistema, que percorre um trilho espinhoso para chegar ao mesmo tipo de conclusão.

O argumento, escrito com notável sentido de humor, gira à volta de uma personagem que dificilmente funcionaria tão bem sem o talento de Johnny Depp. Não será um filme para famílias, no sentido em que não partilha um moralismo dominante; imagina, antes, que perante a adversidade máxima, a personagem se liberta das amarras morais da sociedade. É sintomática a cena em que, sentado na igreja, o professor afirma não sentir nada. A meio caminho, sobretudo mais próximo do fim, o filme não resiste a derivar por alguns clichês, que o enfraquecem. Não terá, seguramente, a preponderância de O Clube dos Poetas Mortos, mas merece ser visto.

Veja o trailer do filme:

Adeus, Professor > De Wayne Roberts, com Johnny Depp, Rosemarie DeWitt, Odessa Young > 90 minutos