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A exposição "O Gosto pela Arte Islâmica", na Gulbenkian, é uma grande viagem

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Na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, a principal exposição comemorativa dos 150 anos do nascimento de Calouste Gulbenkian lança um novo olhar sobre a sua coleção de arte do Médio Oriente. O Gosto pela Arte Islâmica está patente até outubro

No império otomano, o mahmal, palanquim cerimonial transportado sobre um camelo de Damasco a Meca, durante a peregrinação anual, era um símbolo da autoridade do sultão. Uma das muitas peças do verdadeiro tesouro artístico do Médio Oriente acumulado por Calouste Gulbenkian ao longo da vida

No império otomano, o mahmal, palanquim cerimonial transportado sobre um camelo de Damasco a Meca, durante a peregrinação anual, era um símbolo da autoridade do sultão. Uma das muitas peças do verdadeiro tesouro artístico do Médio Oriente acumulado por Calouste Gulbenkian ao longo da vida

D.R.

Raqa, Mossul, Damasco. Três cidades que, nos últimos anos, têm estado muitas vezes nos noticiários pelo pior dos motivos: a guerra. É para estes três locais do Médio Oriente, mas para um contexto completamente diferente, e através de objetos, que somos levados à entrada da exposição O Gosto pela Arte Islâmica. Espera-nos uma viagem no espaço e no tempo: estamos no final do século XIX, com a lâmpada de mesquita oferecida pelo governador do Egito ao rei da Bélgica por ocasião da inauguração do canal do Suez, em 1869. Nesse mesmo ano, nasceria Calouste Gulbenkian, num bairro da margem asiática do Bósforo, cuja vista para Istambul descobrimos na peça seguinte, uma pintura.

Somos transportados, assim, para o contexto geográfico e temporal em que o colecionador de arte nasceu e viveu. A partir daí, faremos uma viagem pelo mundo dessa época (a forma como foi mudando económica e politicamente, as ligações entre Ocidente e Oriente...) e pelo modo como Gulbenkian foi construindo a sua coleção de arte islâmica (com 750 peças). Reunindo objetos de outros museus (Louvre e Metropolitan, por exemplo), esta exposição, comissariada por Jessica Hallett, contextualiza e justapõe objetos, criando uma narrativa surpreendente.

Vaso com pássaros a voar, de Émile Gallé

Vaso com pássaros a voar, de Émile Gallé

Na secção dedicada ao império otomano tardio é possível observar, lado a lado, uma lâmpada de mesquita do British Museum, feita em 1867 por um artista francês, e outra igual, do século XIV, comprada por Gulbenkian a Rothschild em 1919. Ou descobrir a relação entre um veludo persa do século XVI e um pendente Art Nouveau de Lalique. Ou atentar na reprodução de uma pintura do escritório de um antiquário francês e ver, ao lado, um tapete igual àquele para o qual olhámos.

Numa parede de vidro, cartas trocadas entre Gulbenkian e comerciantes de arte estão dispostas de forma a traçar a geografia das suas aquisições. A Primeira Guerra Mundial fez disparar os negócios do petróleo – e aumentar a coleção de Gulbenkian, como se vê num gráfico que compara o preço do petróleo com as aquisições do colecionador. Tapetes e livros raros (expostos abertos, com lupas ao lado) fecham a mostra, antes de vermos uma das últimas aquisições de Gulbenkian: um magnífico vaso com uma representação visual de uma história sufi.

A exposição, comissariada por Jessica Hallett, contextualiza e justapõe objetos, criando uma narrativa surpreendente

A exposição, comissariada por Jessica Hallett, contextualiza e justapõe objetos, criando uma narrativa surpreendente

D.R.

O Gosto pela Arte Islâmica > Fundação Calouste Gulbenkian > Av. de Berna, 45A, Lisboa > T. 21 782 3000 > até 7 out, qua-seg 10h-18h, sex até às 21h > €5