Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Monstros fantásticos na exposição "Paula Rego: Anos 80", em Cascais

Ver

Obras sobretudo pertencentes a coleções particulares, habitualmente inacessíveis ao público, são a parte de leão desta nova exposição, reveladora da década de libertação criativa da pintora Paula Rego. Para ver na Casa das Histórias, em Cascais, até final de maio

D.R.

Obras de Paula Rego há muito invisíveis? Paula Rego: Anos 80 é uma oportunidade imperdível. Uma exposição que opera um certo ressuscitamento, na medida em que permite criar uma nova visão sobre a obra da pintora portuguesa, que tem estado “escondida” em coleções particulares, suscitando novas leituras e revelando inspirações e “saltos”, numa carreira com muitas décadas.

Entre junho e setembro de 2019, Paula Rego vai ter uma grande retrospetiva da sua obra na Grã-Bretanha, com a exposição Obedience and Defiance, mostrada primeiro na MK Galery, seguindo depois para Edimburgo e Dublin

Entre junho e setembro de 2019, Paula Rego vai ter uma grande retrospetiva da sua obra na Grã-Bretanha, com a exposição Obedience and Defiance, mostrada primeiro na MK Galery, seguindo depois para Edimburgo e Dublin

DR

É, por exemplo, o caso das óperas clássicas compostas por Puccini, Verdi ou Bizet, que Paula Rego explorou na série As Óperas (1983): enormes telas com intrincadas histórias, povoadas por muitas personagens, num estilo que rompia com a sua anterior produção pictórica, ou das denominadas Vivian Girls encontradas na obra de Henry Darger (1892-1973), um artista autodidata norte-americano, que viveu num lar de doentes mentais e que trabalhou como empregado de limpeza em hospitais, criador da obra com mais de 15 mil páginas e centenas de aguarelas e desenhos, intitulada The Story of the Vivian Girls, in What is Known as the Realms of the Unreal, of the Glandeco-Angelinian War Storm, Caused by the Child Slave Rebellion. Em 1984, a pintora apropria-se destas personagens ficcionais à sua maneira “como agents provocateurs, capazes de provocar o caos numa amoralidade total”, diz a curadora Catarina Alfaro.

Há, aqui, outras evocações como a do teórico brutalista Jean Dubufett (a quem Paula dedica duas pinturas-homenagem em 1985) ou a das fábulas de La Fontaine, ilustradas por Gustave Doré (pressentidas no bestiário ambíguo e simbólico que a artista começa então a explorar na sua produção), a que se acrescentam memórias biográficas como a doença do marido, Victor Willing (sublimadas na série Menina e Cão). Esta década de 1980, defende a curadora, regista grandes mudanças pessoais e artísticas na vida de Paula Rego, que induzem “um sentimento de liberdade em relação às expectativas impostas quanto ao modo de “fazer arte”. E a artista descobre uma nova linguagem visual, marcada pelas emoções.

Paula Rego: Anos 80 > Casa das Histórias Paula Rego > Av. da República, 300, Cascais > T. 21 482 6970 > até 26 mai, ter-dom 10h-18h > €5