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Em Almada, a peça "A Boa Alma de Sé-Chuão", de Brecht, deu um musical de hard rock

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Peter Kleinert já tinha estado em Almada em 1981, onde encenou “A Exceção e a Regra”, de Bertolt Brecht. Agora está de regresso com a peça A Boa Alma de Sé-Chuão do dramaturgo alemão. Para ver no Teatro Joaquim Benite até 11 novembro

Rui Carlos Mateus

O próprio Brecht debateu-se com três finais possíveis para A Boa Alma de Sé-Chuão. Se a pergunta acerca de como ser boa pessoa se revelava difícil de ser respondida em 1942, nos dias de hoje a tarefa continua a ser desafiadora. Adaptada ao século XXI – e também às especificidades da atualidade portuguesa do aqui e agora – e dirigida pelo encenador alemão Peter Kleinert, especializado em Brecht, A Boa Alma de Sé-Chuão, que se estreou na quinta-feira, 18, no Teatro Municipal Joaquim Benite, conta a história de uma jovem prostituta numa província recôndita da China a quem aparecem três anjos-turistas à procura de um quarto Airbnb para alugar. A bondade desta meretriz em ceder-lhes o próprio local de trabalho emociona os anjos, que decidem passar-lhe dez mil dólares para as mãos. E a rapariga passa a ajudar toda a gente no bairro.

Mas como a ideia de bondade, e de verdade a ela associada, nunca foi um pau de duas simples extremidades mas uma moca cravejada de bicos, a boa alma de Sé-Chuão, de seu nome Chen Te, tem de arranjar forma de refrear os abusos e criar um alter-ego: um primo que põe toda a gente na ordem, inclusive o negócio no qual tinha investido o dinheiro (uma tabacaria de bairro).É possível fazer emergir uma sociedade nova, socialista?’, Brecht passou essa pergunta para a audiência... Precisamos de um mundo novo, isso é claro, mas não sabemos o que temos de fazer para que tal aconteça”, explica Kleinert. Nesta encenação, transformou a peça num musical de hard rock, com os atores a formarem também a banda em palco. É a parte mais frágil do espectáculo. “A ideia apareceu quando li sobre a peça. Brecht terminou-a em 1942, na Califórnia. Ele criou uma versão musical para a Broadway e queria que o amigo Kurt Weill compusesse a música, mas isso, por alguma razão, não aconteceu”, conta o encenador. Agora, em Almada, esse desejo, de alguma maneira, concretiza-se de um modo que Brecht nunca poderia ter imaginado.

A Boa Alma de Sé-Chuão > Teatro Municipal Joaquim Benite > Av. Prof. Egas Moniz, Almada > T. 21 273 9360 > Até 11 nov, qui-sáb 21h, qua, dom 16h > €13