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O espectáculo "Os Seis Concertos Brandeburgueses", de Anne Teresa De Keersmaeker, é arquitetura em movimento

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Um compositor fundamental na vida e obra de De Keersmaeker, Bach providencia à coreógrafa belga uma clareza que ela considera radiante, tanto na dimensão mais lata da obra como nos pormenores. Os Seis Concertos Brandeburgueses sobe ao palco da Culturgest, em Lisboa, nesta sexta e sábado, dias 12 e 13

Anne Van Aerschot

Quando a matéria de trabalho de Anne Teresa De Keersmaeker é a própria música, devíamos poder ver as suas coreografias de cima, para percebermos o desenho que os movimentos dos bailarinos deixam feito no solo. As linhas traçadas pelos pés podiam ser uma partitura, e as diferentes velocidades a que se movimentam a representação física – no espaço e no tempo – da música a reproduzir-se. A coreografia seminal de De Keersmaeker, quando estudava em Nova Iorque e tinha 21 anos, foi essa representação gráfica da proporcionalidade do movimento, a partir do som de um dos precursores da música minimalista, o norte- -americano Steve Reich. Chamava-se Phase – Violin e viria a integrar Phase, Four Movements to the Music of Steve Reich. Há um vídeo em que se pode ver a então jovem coreógrafa belga a dançar sobre um chão de areia: os seus pés deixam desenhada uma mandala, diagrama circular representativo do Universo.

Agora, 27 anos depois, De Keersmaeker apresenta Os Seis Concertos Brandeburgueses, de Bach, naquela que é a quinta incursão da coreógrafa no universo do compositor barroco. A primeira, Toccata, aconteceu em 1994.

“Enquanto desenvolvia a coreografia Phase Violin de Steve Reich, no início dos anos 80, tinha sempre uma gravação de um dos concertos de Brandeburgo a tocar em fundo”, refere a coreógrafa, numa conversa com o dramaturgo do espectáculo, Jan Vandenhouwe, publicada no site da sua companhia de dança, Rosas. “A obra musical de Bach foi uma bússola para mim, desde o começo da minha carreira.”

Em palco, estarão 16 bailarinos, acompanhados pela B’Rock Orchestra. Em De Keersmaeker, coordenação com repetição resultam numa ideia de harmonia. “Bach acrescentava sempre uma pequena subscrição nas suas partituras, ‘soli deo gloria’ [glória apenas a deus]. A sua música aspira claramente a uma reflexão da ordem divina, visível no Universo”, continua. “Eu experiencio-a como arquitetura em movimento.”

Anne Van Aerschot

Os Seis Concertos Brandeburgueses > Culturgest > R. Arco do Cego, 50, Lisboa > T. 21 790 5155 > 12-13 out > sex 21h e sáb 19h > €24