Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

'Ready Player One': Futurismo revivalista no novo filme de Steven Spielberg

Ver

Spielberg regressa ao puro entretenimento num fantástico filme 3D em que a virtualidade se torna tão importante quanto o mundo real. Ready Player One já se estreou nas salas de cinema

'Ready Player One', o livro de estreia de Ernest Cline, editado em Portugal pela Presença, tornou-se um best-seller mundial. Esta adaptação ao cinema deve aumentar ainda mais a curiosidade em torno da obra, e consta que Cline já está a preparar uma sequela

'Ready Player One', o livro de estreia de Ernest Cline, editado em Portugal pela Presença, tornou-se um best-seller mundial. Esta adaptação ao cinema deve aumentar ainda mais a curiosidade em torno da obra, e consta que Cline já está a preparar uma sequela

O Steven Spielberg do puro entretenimento está de volta. Nenhum filme anterior pareceu adequar-se tão bem ao 3D e à realidade sociocultural do século XXI. Ready Player One situa-se algures entre o Indiana Jones e a Inteligência Artificial, mas é polvilhado com os ingredientes certos para agradar transversalmente a várias gerações. O filme parte de um best-seller de Ernest Cline. A trama passa-se em 2044, numa era em que já muitos se cansaram de lutar por uma realidade melhor e se renderam à fantasia do mundo virtual, mais concretamente a um jogo, simulador de vida, chamado Oasis (uma versão super pro do Second Life). O inventor do jogo deixou, como testamento, três chaves escondidas dentro daquele mundo. Quem as descobrir tornar-se-á dono da plataforma. Lança-se assim um desafio à escala global. Acontece que Halliday, o idolatrado criador de Oasis, é um fanático da cultura pop dos anos 1980 (tempo da sua infância e adolescência), o que faz com que este imenso mundo virtual seja imensamente revivalista – ou, melhor ainda, aqui revisita-se nostalgicamente a perceção do futuro dos anos 80. Há, por exemplo, elementos claros de Regresso ao Futuro, de Robert Zemeckis. Mais curioso ainda, neste contexto, é que o próprio Steven Spielberg foi um dos mais produtivos criadores da iconografia dos anos 80, pelo que, de alguma forma, neste filme revisita-se também a si próprio.

Este conceito de mundo virtual permite uma excêntrica fusão de elementos iconográficos, deslumbrante e fantástica, tornando tudo muito natural: encontramos Kink Kong, Godzilla, o Homem de Ferro, o cubo mágico, robots, monstros desfigurados... A melhor parte é o tributo que Spielberg acaba por fazer ao seu amigo Stanley Kubrick através de uma experiência interativa com Shining.
O filme joga-se entre dois planos: a trama dentro de um futuro fantástico, em Oasis, e, paralelamente, a de um futuro decrépito, no mundo real. Os dois universos cruzam-se e influenciam-se, ao ponto de, por vezes, se tornarem quase indistintos do ponto de vista da ação. Em suma: apesar de algumas falhas ou cedências, Spielberg volta a conseguir fazer um grande filme de entretenimento. Ready Player One é o filme para adolescentes que todos os pais vão querer ver.

Veja aqui o trailer

Ready Player One > de Steven Spielberg, com Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe > 140 minutos