Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Os Dias de Marvila vão pôr o bairro lisboeta no mapa das artes

Ver

O Teatro Maria Matos, a Biblioteca de Marvila e a Casa Conveniente/Zona Não Vigiada, em Lisboa, juntaram-se para criar um ciclo de espetáculos que quer pôr o bairro de Marvila no mapa das artes da cidade. Gustavo Ciríaco e Rui Catalão são apenas dois dos artistas que ali se apresentam a partir desta sexta-feira, 22

Assembleia, de Rui Catalão, é uma das peças do ciclo Os Dias de Marvila

Assembleia, de Rui Catalão, é uma das peças do ciclo Os Dias de Marvila

Patrícia Almeida

O trabalho de proximidade com o lugar onde está inserido – a freguesia de Alvalade – tem sido uma constante na programação do Teatro Municipal Maria Matos. Agora, a sala lisboeta decidiu alargar o seu campo de ação a Marvila, freguesia vizinha, a menos de oito minutos de distância de carro ou de comboio. “Estando no centro de Lisboa, é um território com muito pouca dinamização cultural e fica mesmo aqui ao lado. Percebemos que uma programação de proximidade deveria incluir Marvila”, explica Mark Deputter, diretor artístico do Maria Matos. Assim nasceram Os Dias de Marvila, um ciclo com teatro, performance, cinema, debates, exposições, oficinas e atividades para crianças e jovens, desenhado em parceria com duas organizações locais: a Biblioteca de Marvila e a Casa Conveniente/Zona Não Vigiada, da atriz e encenadora Mónica Calle.

Destaque-se o projeto de investigação artística Topias Urbanas (uma encomenda do teatro, com coordenação de Joana Braga), que apresenta cinco “objetos-situações” fruto do trabalho desenvolvido, ao longo de 10 meses, nos bairros de Marquês de Abrantes e Loios. Entre as propostas destes Dias de Marvila estão a performance site specific Onde o Horizonte se Move, de Gustavo Ciríaco, um encontro em torno das hortas urbanas de Chelas, e um percurso pelo Marquês de Abrantes pontuado por instalações de som e imagem.

Outro ponto alto é a estreia de duas peças de teatro – Assembleia e E Agora Nós –, de Rui Catalão, com habitantes de Marvila, e, ainda, a reposição de Moçambique, espetáculo multipremiado da companhia Mala Voadora, em que o encenador Jorge Andrade reinventa a História do seu país-natal.

Uma festa de homenagem ao rapper português Beto di Ghetto, oficinas de música para jovens da freguesia (uma das quais com as Pega Monstro), a projeção do documentário Humano, de Yann Arthus‑Bertrand, e a muito esperada reedição do projeto Biblioteca Humana estão entre as muitas iniciativas que compõem este que é o primeiro dos muitos Dias de Marvila, garante Deputter: “Queremos criar oferta cultural para – e com – a freguesia, mas também trazer pessoas de fora ao bairro, desconstruindo um certo estigma que se colou a Marvila e procurando conhecer melhor a sua realidade.”

Os Dias de Marvila > Teatro Municipal Maria Matos > Av. Frei Miguel Contreiras 52, Lisboa > T. 21 843 8800 > Biblioteca de Marvila > R. Luís de Sttau Monteiro C4, Lisboa > T. 21 817 3000 > Casa Conveniente/Zona Não Vigiada > Av. João Paulo II, lote 536, 1A, Bairro do Condado, Lisboa > 22-24 set > grátis (exceto Mala Voadora, €6 a €12)