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'O Mais Profundo É a Pele': esta coleção de tatuagens tem uma história para contar

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A exposição de tatuagens O Mais Profundo É a Pele junta ciência e filosofia e nela são traçados perfis socioculturais da Lisboa marginal e boémia do primeiro quarto do século XX. Para ver no Palácio Pombal, em Lisboa, até 25 de julho

Desenho anatómico masculino, 1921

Desenho anatómico masculino, 1921

Chulos, prostitutas, marialvas, marinheiros, assassinos, ladrões de pequeno furto, fadistas... Lisboa, 1910-1940. As tatuagens delas eram mais nominativas: nomes de amantes, de proxenetas. As deles, mais figurativas: cruzes de Cristo, mulheres nuas, emblemas do Benfica, Sporting, Belenenses, desenhos eróticos. Havia um que era homicida em série, tinha o corpo tatuado da cabeça aos pés. Havia outro que, depois de uma noite louca de amor, desenhou uma tatuagem sexual explícita. Veio a arrepender-se.

Na exposição 
O Mais Profundo É a Pele, Coleção de Tatuagens 1910-40, que está no Palácio Pombal, em Lisboa, podemos ver 61 frascos com fragmentos de pele humana tatuada, livros de registo (exames médicos, interrogatórios na penitenciária, quase sempre a do Limoeiro), desenhos, fotografias e instrumentos de tatuagem da altura. Fazem parte do espólio do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, que é parceiro na organização desta exposição juntamente com o MUDE – Museu do Design e da Moda e o Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa.

“A forma como este acervo foi constituído permite identificar quem era tatuado, como era, quem tatuava, quais os motivos da tatuagem. Interessa aqui a caracterização sociológica, cultural”, refere Bárbara Coutinho, diretora do MUDE, à VISÃO. 
“É muito interessante ver como é que o marinheiro vem com uma tatuagem diferente, mais colorida e elaborada. 
A tatuagem feita em Portugal no início do século XX era mais simples, a preto, um traço quase naïf.”

“Frequentavam a Mouraria, Alfama e o Bairro Alto”, acrescenta Catarina Pombo Nabais, cocuradora da exposição, identificando melhor os donos destes corpos: “Quase todos entre os 23 e os 29 anos, com vidas bastante arriscadas, ligados ao crime. Alguns saíam nas notícias dos jornais, até temos os recortes.”

Frasco com amostra de pele, braço direito masculino, 1930

Frasco com amostra de pele, braço direito masculino, 1930

O Mais Profundo É a Pele, Coleção de Tatuagens 1910-40 > Palácio de Pombal > R. do Século, 79, Lisboa > T. 21 888 6117 > até 25 jul > ter-dom 10h-18h