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Há músicas proibidas na Casa da Música

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Termina o ciclo Música & Revolução, da Casa da Música, com composições banidas pelo regime soviétivo e louvor ao Dia do Trabalhador, interpretadas pelo Remix Ensemble, Orquestra Sinfónica e Coro Casa da Música. Para ouvir esta sexta, 29, e domingo, 1

Em pleno Ano Rússia, são os compositores perseguidos pelo regime soviético que recebem maior destaque no ciclo Música & Revolução que, há 11 anos, faz a ponte entre o 25 de abril e o 1 de maio, Dia do Trabalhador, na Casa da Música, no Porto. É sob o tema Surrealismo Socialista que se desenrola este que é um dos festivais “mais identitários” da casa, como o define António Jorge Pacheco, o diretor artístico. Três agrupamentos da Casa da Música – Remix Ensemble, Orquestra Sinfónica e Coro Casa da Música – juntam-se para dois grandes concertos e recordam obras banidas pelo regime: Sinfonia para a Revolução (sexta, 29) e 1.º de Maio (domingo, 1 mai). Com uma outra particularidade, ainda: a da estreia do maestro russo Vassily Sinaisky, a dirigir a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música. Ambos lembram o “perseguido” compositor russo Dmitri Chostakovitch e obras dos então chamados “Os sete de Khrennikov”, como Elena Firsova, Edison Denisov e Sofia Gubaidulina, excluídos das representações oficiais da União Soviética. No concerto de sexta, 29, será interpretada a Sinfonia nº2, de Chostakovitch, composta por ocasião do 10º aniversário da Revolução de 1917, terminando com o Coro a “pedir pão e trabalho”, a fazer lembrar a luta do povo em todo o processo revolucionário.
O ciclo encerra precisamente no Dia do Trabalhador, 1 de maio, com um concerto apoteótico. Na primeira parte, o Remix Ensemble percorre a Concordaza da genial Sofia Gubaidulina, obra estreada no Festival da Primavera de Praga em 1971, e La vie en Rouge, de Edison Denisov. Na segunda parte, ouviremos a Sinfonia nº 3, O 1.º de Maio, com que Dmitri Chostakovitch louvou o Dia do Trabalhador e os ideais da revolução. Será um fecho em grande para um ciclo que, a lamentar, terá apenas a ausência do pianista austríaco Marcus Hinterhäuser, que aqui estava previsto que se estreasse a solo e que acabou por ser adiada por motivos de saúde do músico.

Sinfonia para a Revolução > Casa da Música > Av. da Boavista, 604, Porto > T. 22 012 0220 > 29 abr, sex 21h > €15 > 1º de Maio > Casa da Música > Av. da Boavista, 604, Porto > T. 22 012 0220 > 1 mai, dom 18h > €15