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"Luz Vermelha", na RTP1: Pela moral e pelos bons costumes

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Baseada no caso verídico das “Mães de Bragança”, a série escrita por Patrícia Müller reflete sobre tráfico humano, xenofobia e poder. Luz Vermelha estreia-se nesta sexta, 11, na RTP1

A história das “Mães de Bragança” foi capa da Time, em outubro de 2003. A revista escrevia, na sua manchete, que Bragança era “o novo bairro de prostituição europeu”, numa reportagem intitulada Quando as meninas chegam à cidade.

A história das “Mães de Bragança” foi capa da Time, em outubro de 2003. A revista escrevia, na sua manchete, que Bragança era “o novo bairro de prostituição europeu”, numa reportagem intitulada Quando as meninas chegam à cidade.

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Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Luz Vermelha parte de um caso com 16 anos para falar de tráfico humano, xenofobia, relações de poder e casamentos disfuncionais. Patrícia Müller repescou o drama do movimento de mulheres que se uniram contra as prostitutas brasileiras que estavam a roubar-lhes os maridos. Depois de um abaixo-assinado para travar aquilo a que elas chamaram “uma autêntica onda de loucura”, que chegou aos jornais e às autoridades, a história das “Mães de Bragança” foi mesmo capa da Time, em outubro de 2003. A revista escrevia na sua manchete que Bragança era “o novo bairro de prostituição europeu”, numa reportagem intitulada Quando as meninas chegam à cidade.

Os 13 episódios de Luz Vermelha, realização de André Santos e Marco Leão, habituados ao universo das curtas-metragens, focam-se na vida de Bruna (interpretada por Mariana Badan, 26 anos, atriz, cantora e artista plástica brasileira), uma rapariga que veio do Brasil deixando um filho para trás para tentar a vida noutro país e começar do zero. Em paralelo, seguimos a investigação de uma jornalista (Margarida Vila-Nova), mas muita da ação se passa no ambiente noturno do bar de alterne, onde veremos Sofia Nicholson, como a madame, e Joaquim Monchique, o dono do bar, num registo menos cómico do que é habitual. “É um ambiente naturalmente recheado de violência e de opressão. Mas é também uma reflexão sobre questões morais”, descreve Patrícia Müller. E, apesar de as personagens femininas serem determinantes na narrativa, “não é uma história de mulheres. É uma história de pessoas, num microcosmos particular, onde os segredos vêm ao de cima”. Sem cenas de pancadaria gratuitas nem nudez desbragada nas cenas de sexo, o que mais importa é o lado humano, e em Luz Vermelha as prostitutas não são nem vítimas nem marginais.

Luz Vermelha > RTP1 > Estreia 11 out, sex 22h15