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Crónica Por Lisboa: Cruz Alta em Lisboa

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

O caminho, ensinado na secretaria do Cemitério dos Prazeres, faz-se facilmente: de costas para o portão da entrada, segue-se pela esquerda até ao final da Rua 2, que ao curvar passa a Rua 1; anda-se mais um pouco, descem-se umas escadas e vira-se na terceira à esquerda, só parando brevemente junto a uma jovem árvore para apreciar o jazigo de Columbano Bordalo Pinheiro, um bónus extra antes de se dar com um pedaço da serra de Sintra.

Não é figura de estilo. Acima do epitáfio “Aqui jaz Elisa Hensler, viúva de sua majestade el-rei D. Fernando II de Portugal, nascida em 1836 e falecida em 1929”, e por entre alguma vegetação, ergue-se uma réplica da Cruz Alta do Parque da Pena, construída com blocos de granito mandados vir da serra e ali adaptada pelo arquiteto Raul Lino, seguindo o testamentado pela Condessa d’Edla.

Elisa Hensler só deixaria Sintra uns anos depois da morte do Rei-Artista, e após chegar a um acordo com o Estado, interessado em comprar-lhe o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e as matas circundantes. Em Lisboa, para onde se mudou com a filha, Alice, a antiga cantora lírica moraria no Palácio de Santa Marta, que de vez em quando trocava pelo seu chalet, em pleno Parque da Pena. A paixão pela serra, essa iria manter-se para sempre incólume.