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Crónica por Lisboa ... Que belas cocheiras

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Os lugares da cidade, as histórias escondidas e os pequenos prazeres. A crónica quinzenal Por Lisboa, pela jornalista Rosa Ruela

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

O spoiler vai logo no título porque nestas croniquetas não queremos enganar ninguém e por uma vez poupamos na arte do suspense. Também é verdade que, quando paramos frente aos números 45 a 49 da Rua Jau, no Alto de Santo Amaro, apetece-nos logo partilhar o espanto de uma mansão como esta ter sido pensada só para abrigar cavalos e mais tarde carros.

Claro que nos lembramos de imediato do castelinho junto à Gulbenkian, na realidade também umas cocheiras que o 1º conde de Vilalva mandou construir depois de ouvir um aristocrata escocês gozar com a falta de jeito dos portugueses para tratarem de cavalos. Mas este palacete, com direito a um torreão de telhas pretas muito parisiense e ao brasão do Marquês de Vale Flor, surpreende mesmo depois de vermos, no outro lado da rua, o imponente palácio do emigrante português agraciado com o título pelo rei D. Carlos (hoje Hotel Pestana Palace).

Desenhado pelo arquiteto José Ferreira da Costa, no início do século passado, o palacete tem a forma de uma ferradura, com as baias dispostas em círculo. Os seus salões e a vista para o Tejo também pedem uma visita, facilitada durante os congressos ou os mercadinhos de roupa que volta e meia ocupam as antigas cavalariças. O último a ir ver é um ovo podre!