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A mesa farta e acolhedora do restaurante O Ernesto, no Porto

Comer e beber

Ponto de encontro de residentes e, cada vez mais, de turistas que se deliciam com as iguarias da cozinha portuguesa. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre O Ernesto, no Porto

As tripas à moda do Porto têm dia fixo na ementa, terça-feira, e é um dos pratos emblemáticos

As tripas à moda do Porto têm dia fixo na ementa, terça-feira, e é um dos pratos emblemáticos

Lucília Monteiro

Não podíamos deixar passar o ano sem assinalar os 80 anos de atividade como restaurante e os 50 com este nome. O Ernesto é um clássico do Porto, conhecido pelas instalações acolhedoras, pela decoração invulgar, em permanente renovação, e pela cozinha portuguesa com produtos e culinária de categoria. Fica numa rua da Baixa que não tinha outro estabelecimento hoteleiro, há meia dúzia de anos, e que está, agora, pejada deles, com uma oferta gastronómica muito diversificada sem, todavia, afastar os clientes do bacalhau à Brás, dos filetes, dos rojões, das tripas e demais iguarias de O Ernesto. Aos clientes fiéis, de longa data, juntam-se os turistas, em número crescente, e é vê-los sair felizes, uns e os outros, talvez a pensar no regresso. Tem duas salas acolhedoras, em pisos diferentes, onde esculturas, pinturas, desenhos, fotos, poemas e outras obras de arte se vão sucedendo por graça dos seus autores, que são clientes e amigos da casa (exemplo significativo é o novo painel da sala de cima, assinado por cinco artistas).

A cozinha tem um dos seus trunfos nos bons produtos: peixes da lota, carnes nacionais, azeite da quinta; enfim, tudo de origem conhecida e de qualidade afiançada. Outro mérito que se lhe aponta é a culinária soberba, embora simples, é complementada com a simpatia do serviço. Assim se explica o prazer à mesa, que começa a desenhar-se com a alheira assada, os bolinhos de bacalhau, as rodelas de salpicão, as fatias de queijo artesanal de mistura (cabra e vaca) e os rissóis, nas entradas. Depois, há que atentar nos pratos que têm dia fixo, todos emblemáticos: bacalhau à Gomes de Sá, rancho e coelho assado no forno, à segunda-feira; peixe frito com arroz de feijão, salmão grelhado, tripas à moda do Porto e carne assada, à terça; filetes de pescada com arroz de feijão, de grelos ou de legumes, à quarta; filetes de polvo com arroz do mesmo ou de feijão da treta (arroz, feijão-frade e grelos) e cozido à portuguesa, à quinta; bacalhau à João do Grão, peixe assado, arroz de pato e vitela assada, à sexta; filetes de pescada e de polvo, rojões, cabrito e vitela assados no forno, ao sábado.

Tão dignos de apreço como esses, são, por exemplo, o arroz de marisco, o bacalhau com natas, os carapaus assados no forno, as marmotinhas de rabo na boca fritas, as lulas à bordalesa ou simplesmente grelhadas, a massa à lavrador, o empadão e as costeletas panadas. Boa doçaria tradicional e caseira, como leite-creme, musse e pudim, mas a sobremesa de eleição é a salada de frutas, muito variada e saborosa. Garrafeira adequada. Serviço eficiente e simpático.

Lucilia Monteiro

O Ernesto > R. da Picaria, 85, Porto > T. 22 200 2600 > ter-sáb 12h-15h, 19h30-22h, seg 12h-15h > €20 (preço médio)