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Cervejaria Trindade, uma história apetitosa com 182 anos

Comer e beber

Faz 182 anos que a Cervejaria Trindade, em Lisboa, abriu portas à clientela. O historiador Anísio Franco, curador do Museu Nacional de Arte Antiga, guiou-nos pelos (re)cantos daquele que se diz ser o mais antigo restaurante da cidade e, em sete pontos, contamos algumas curiosidades

José Correia

1. A fachada
Na rua, Anísio Franco chama a atenção para os azulejos, com desenhos e diferentes tonalidades de azul, que forram a fachada do prédio de três andares, no número 20 C da Rua Nova da Trindade. “São uma espécie de composição, que junta os restos da antiga decoração do convento”, desvenda o historiador de arte.

2. Interiores
Já no átrio e na sala grande, são os azulejos da autoria de Luís Ferreira, chamado “Ferreira das Tabuletas”, que merecem atenção. “Congrega símbolos maçónicos ligados aos ideais do proprietário Manuel Moreira Garcia, industrial galego que, em 1834, adquire as ruínas do convento para instalar a Fábrica de Cerveja da Trindade, a primeira em Portugal.” O êxito foi tal que Manuel Garcia decide abrir um balcão de cerveja a copo e, mais tarde, uma cervejaria composta por quatro salas e um pátio.

3. O convento
A cervejaria ocupa parte daquilo que foi o Convento da Santíssima Trindade, datado de 1294. Aqui viveram os frades trinos que tinham como missão resgatar os cristãos que estavam cativos dos mouros. Terá sido a Rainha Santa Isabel, mulher do rei D. Dinis, “a grande impulsionadora da concretização da obra, finalizada já no século XIV”, afirma Anísio Franco.

5. Painéis e azulejos
Com simbologia maçónica, os grandes painéis de azulejos do antigo refeitório do Convento merecem explicação mais detalhada. De um lado, as estações do ano, do outro, os quatro elementos. “Moreira Garcia quis impressionar, ambicionando fazer parte da maçonaria.”

6. Sala Maria Keil
Nos anos 40, o restaurante volta a roubar espaço à fábrica e abre o luxuoso Folclore, com palco para espetáculos. A obra é entregue ao arquiteto Francisco Keil do Amaral e à sua mulher, Maria Keil, que trazem “modernidade, dando novo esplendor à cervejaria”. Anísio Franco destaca ainda as cadeiras, de 1940, “muito confortáveis”.

7. Bife à Trindade
Domingos Moreira Garcia, filho do fundador, herda o negócio e leva-o até 1920, altura em que a cervejaria é doada aos empregados. José Rovisco Pais adquire as quotas e, quando morre, a Trindade fica para a Misericórdia, que a vende à Central de Cervejas, dona da Portugália. Mais tarde, faz-se independente e, em 2007, volta ao grupo. O que nunca falta à mesa é o Bife à Trindade, o marisco e a cerveja fresca. Venha de lá, então.