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Restaurante Torreão: Diferentes sabores no Porto

Comer e beber

A originalidade de um projeto que combina a boa mesa com uma nobre causa social. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Torreão, no Porto

Liderado pelo chefe Carlos Correia, o Torreão é um restaurante como os outros. A vertente solidária deve-se ao facto de as equipas de cozinha e de sala serem constituídas por profissionais formados no Serviço de Assistência Organizações de Maria (SAOM)

Liderado pelo chefe Carlos Correia, o Torreão é um restaurante como os outros. A vertente solidária deve-se ao facto de as equipas de cozinha e de sala serem constituídas por profissionais formados no Serviço de Assistência Organizações de Maria (SAOM)

Lucília Monteiro

O restaurante Torreão tem caraterísticas particulares, decorrentes da localização, das instalações, do serviço e, até, dos seus fins, que fazem com que seja especialmente apropriado falar dele nesta quadra festiva com forte apelo à solidariedade. Como o nome indica, está instalado num torreão, cuja parede-mestra assenta na Muralha Fernandina, nas Virtudes, centro histórico do Porto. Tem duas salas pequenas e um terraço com vista admirável do rio Douro e zonas ribeirinhas da cidade e de Gaia, infelizmente só funcional quando há bom tempo. As equipas de cozinha e de sala são exclusivamente constituídas por profissionais formados na SAOM – Serviço de Assistência Organizações de Maria, instituição que detém o restaurante e que está vocacionada para auxiliar vítimas da exclusão social, como os sem-abrigo, dando-lhes formação e reabrindo-lhes o caminho da reintegração. Os fundos angariados no restaurante destinam-se a esta causa social. Dito isto, importa referir que se trata de um restaurante como os outros, com um chefe de cozinha reputado - Carlos Correia, que teve o Divinus e o In Diferente, antes de aceitar o desafio para liderar a formação da SAOM em cozinha, pastelaria e serviço de mesa -, e com pessoal qualificado, ou não fossem todos formados na casa.

A base da cozinha é tradicional portuguesa com alguma influência internacional. Nota-se o cuidado posto na escolha dos produtos, bem como na confeção e na apresentação dos pratos. A carta, relativamente pequena, mas renovada periodicamente, já tem dois pratos inamovíveis: bacalhau com broa, com os aromas e sabores tradicionais a azeite, alho, salsa, pão de milho, batatas novas e grelos salteados; e bochechas de “porco preto” confitadas, com puré cremoso de grão-de-bico e espinafres salteados. Mas, antes, há que atentar nas entradas, com as quais se propõe uma degustação de petiscos com sabores fortes, como tripas à moda do Porto, rojões com castanhas e míscaros com anchovas, tendo uma alternativa suave na sopa de cebola gratinada. Outros pratos a ter em conta são, por exemplo, o lombo de rodovalho com risoto de ervas e lima, muito agradável, embora com o senão do sabor do arroz se sobrepor ao do peixe; o risoto de cozido à portuguesa, que leva o caldo do cozido, a couve branca, a cenoura e a morcela no arroz, indo as restantes carnes à parte; e o naco do vazio (vazia, a sul) com molho de queijo Serra, simples e bom, evidenciando a qualidade dos produtos. Doçaria apetecível, feita pela equipa caseira, como a tarte de limão, a musse de chocolate fumada e os ovos-moles. Garrafeira com uma seleção interessante de vinhos de pequenos produtores, dois ou três dos quais a copo.

O terraço virado ao rio Douro e às zonas ribeirinhas do Porto e Gaia

O terraço virado ao rio Douro e às zonas ribeirinhas do Porto e Gaia

Lucília Monteiro

Torreão > R. das Virtudes, 37, Porto > T. 91 947 1037 > seg-sáb 12h-15h, 19h30-22h30 (sex e sáb até às 23h30) > €25 (preço médio)