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Bocca: O lugar do gosto

Comer e beber

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No Porto, o Bocca é um restaurante muito agradável que promete tornar-se uma referência de qualidade na cidade. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Além da localização privilegiada, o restaurante Bocca dispõe de instalações muito agradáveis e boa cozinha baseada nos produtos e sabores portugueses com técnica e apresentação contemporâneas

Além da localização privilegiada, o restaurante Bocca dispõe de instalações muito agradáveis e boa cozinha baseada nos produtos e sabores portugueses com técnica e apresentação contemporâneas

LUCILIA MONTEIRO

Está num lugar tranquilo e bonito, dentro do Jardim das Sobreiras, a olhar o rio Douro, junto da Foz. A rua que o circunda não podia ter nome mais apropriado: Passeio Alegre. Além da localização privilegiada, o restaurante Bocca dispõe de instalações muito agradáveis – sala ampla e transparente numa estrutura de madeira, metal e vidro com decoração minimalista que faz sobressair o balcão, num extremo, e o forno, no outro; esplanada imensa, no exterior – e boa cozinha baseada nos produtos e sabores portugueses com técnica e apresentação contemporâneas.

No forno da sala preparam-se pizzas de massa fina e estaladiça, à maneira romana. Na cozinha confecionam-se iguarias de sabores portugueses com produtos de qualidade e técnica culinária evoluída. João Tavares de Pina, produtor de vinhos por formação e prática, mas também cozinheiro por tradição familiar, foi o primeiro responsável pela cozinha, até chegar o chefe João Formiga. Há coisas a corrigir, como a ementa, que não oferece a variedade de opções desejável, por ser curta. Ele está a trabalhar nessa e noutras melhorias, como o reforço da presença de carnes nacionais. Mas o que está na ementa tem valor. Nas entradas, os croquetes de vitela (boa carne, sem farinha ou natas a ligar), os rojõezinhos (bem condimentados e melhor fritos) e as gambas ou as lulinhas salteadas com limão e salsa (frescas e saborosas) merecem aplauso.

Nos pratos principais, o peixe do dia com arroz de coentrada (lombo de corvina com a pele estaladiça e a carne branca, compacta, saborosa, na companhia de arroz carolino impregnado do aroma dos coentros, inteiro e solto) é muito bom, tal como os filetes (de pescada, peixe-espada ou badejo) com tempero e polme clássicos, acompanhados com arroz de coentros (que também pode ser de tomate ou de ovas de peixe-galo), o ceviche do mar (robalo, atum ou outro peixe) com puré de batata-doce, o bacalhau confitado (textura e sabor uniformes, porque cozinhado a baixa temperatura), o naco da vazia (tenro e suculento), o chuleton de carne maturada (sabor concentrado), o magret, o rosbife, o tártaro, estes preparados de acordo com os respetivos cânones.

Doçaria da casa bem elaborada. Na garrafeira nota-se a presença de um patrocinador, embora não exclusiva, e a prática de preços sensatos, isto é, equilibrados e justos. Serviço simpático, mas inexperiente.

Lucília Monteiro

Bocca > R. do Passeio Alegre, 3, Porto > T. 22 617 0004 > seg-dom 12h-23h30 > €25 (preço médio)