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A Casa de Chá da Boa Nova está no caminho que leva às estrelas

Comer e beber

O lugar e a casa já se tinham afirmado e agora é a cozinha que parece querer projetar-se como obra de arte. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante do chefe Rui Paula na Casa de Chá da Boa Nova

Lucília Monteiro

Inaugurado em Julho de 2014, o restaurante da Casa de Chá da Boa Nova evoluiu, tanto na cozinha como no serviço de sala, e mostra-se, agora, digno do espaço privilegiado que ocupa. A cozinha é moderna e criativa, baseada em produtos de qualidade que sabe respeitar com as técnicas culinárias adequadas. Está mais consistente, mais segura e, naturalmente, mais sóbria. O serviço de sala parece outro, muito competente, destacando-se o escanção, que é exímio a harmonizar o vinho com a comida. Quanto ao espaço, há que realçar a localização privilegiada, sobre as rochas e o mar, junto do Farol de Leça, e as linhas puras do edifício desenhado por Siza Vieira e por ele integrado na paisagem. Além da beleza, a sala luminosa com as mesas convenientemente distanciadas umas das outras e assentos almofadados oferece tranquilidade e conforto.

A ementa mantém a estrutura inicial com três menus e outros tantos pratos “clássicos”, cada um dos quais se destina a duas pessoas (€ 80). O menu “do Mar e da Terra”, com peixe, marisco e carne, e o “Atlântico”, só com peixe e marisco, incluem duas entradas, quatro pratos principais e duas sobremesas (€ 120); o “Boa Nova” tem entrada, prato de peixe, prato de carne e sobremesa (€ 85). Antecedendo o menu, vem um par de “snacks” que cativa pela forma como são apresentados e pelo sabor, em regra fresco, a mar. As sugestões de vinhos por pessoa são de € 75 e € 40, respetivamente. Os “clássicos” justificam esta designação com os ingredientes e os sabores tradicionais do arroz caldoso de peixe e lavagante, da cataplana de peixe e marisco e do pargo com legumes baby e batatinha nova, todos excelentes.

Do menu Atlântico, que é um hino ao mar, destacamos a “Calçada Portuguesa”, com vieira e aipo, num conjunto mais colorido do que o preto e branco sugerido pelo nome, cujo sabor é muito delicado; o carabineiro com ervilhas em três texturas e ovo, de uma suavidade cativante; o “robalo no seu habitat”, cozinhado no vapor, com uma lâmina de vieira crua por cima e água do mar que, agitada, traz a praia à mesa; a pescada de anzol com ravioli de bivalves e molho de plâncton, outra imersão no mar; o bacalhau, com bochecha, língua e feijoada de samos, a que se junta um pouco de sapateira para dar um toque de mar, de sabores bem definidos, embora o bacalhau de meia cura talvez pudesse ser substituído com vantagem pelo “nosso” seco; e o arroz de lula, porventura o prato mais trabalhado - lula aveludada, arroz estaladiço, molho (bordalês) cremoso -, muito bem conseguido.

Excelente seleção de queijos, todos portugueses. Doçaria apelativa, sem surpresas. Muito boa garrafeira. Está no caminho que leva às estrelas.

Casa de Chá da Boa Nova > Av. da Liberdade, Leça da Palmeira > T. 22 994 0066, 93 249 9444 > seg 19h30-23h, ter-sáb 12h30-15h, 19h30-23h > €100 (preço médio)