Boca do Inferno

Consensualizem lá isso

Quando, há dias, o primeiro-ministro pediu aos cientistas um “esforço de consensualização”, obteve-o imediatamente. Foi consensual entre os cientistas que o pedido era meio palerma

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Crítica de confinamentos

Arrumar gavetas é irredimivelmente chato, a panificação transmite um sentimento de realização na primeira vez que não encontra paralelo nas vezes seguintes, e estreitar relações com os nossos entes queridos faz com que tenhamos saudades dos momentos insignificantes que passamos com os nossos entes indiferentes

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Zoólogos pela verdade

Alguns outros membros do movimento “Zoólogos pela Verdade” têm de lidar ainda com o facto de, por causa de uma admirável fidelidade às suas ideias, terem enfiado os dois braços na jaula do tigre, tendo perdido ambos, pelo que, neste momento, estão confrontados com uma maior dificuldade de escrever posts no Facebook

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Vacinação valente

É evidente que não conseguimos vencer os chicos-espertos – logo, vamos pô-los a mandar. Uma solução óbvia é definir logo de início que a vacinação devida consiste em dar prioridade a amigos e a familiares do responsável pela vacinação, e que vacinar idosos, profissionais de saúde e bombeiros é ilegal

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Nem sempre se percebe bem o que o povo disse – o que não deixa de ser estranho porque, sendo Portugal um país pobre, é muito improvável que o povo esteja a falar de boca cheia

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Nação doente e disfuncional

O plano sueco distingue--se do da generalidade de outros países por ter adoptado uma estratégia diferente e, ao que tudo indica, distingue-se do português por ser um plano

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Marcelo Rebelo de Tudo

Além de ser o Presidente de todos os portugueses, Marcelo é também o Presidente de todos os resultados

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Desesperadamente procurando um procurador

O procurador José Guerra tem um currículo fantástico (no sentido em que inclui aspectos fantasiosos), mas não foi ele quem os inventou. Há fraude, mas não do próprio. Nesse caso, trata-se de altruísmo. Aldrabar o currículo alheio é um gesto feio ou bonito? Conta como burla ou filantropia? Ilicitude ou amizade?

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Prometam-me insensatez

Besuntem-se todos com aquelas compotas que o sr. subdirector-geral da saúde recomendou que oferecessem no Natal e esfreguem-se uns nos outros. À confiança. Os meus colegas e eu reunimos esta manhã e deliberámos que estão reunidas condições para a mais lasciva devassidão

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Mais horribilis que este annus é difícil

Normalmente, quando uma previsão do fim do mundo não se confirma, sentimos algum alívio; no entanto, creio que, depois de um ano como este, o fim do mundo seria uma lufada de ar fresco que todos acolheríamos com alguma alegria. Infelizmente, voltou a não se verificar. 2020 tem sido desilusões atrás de desilusões

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Frequentadores de tascas pela verdade

Ninguém fala da Suécia por causa de interesses. Só que eu tenho um cunhado que viveu muitos anos na Alemanha e ele, de casa dele, via a Suécia, se o tempo estivesse bom

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Ninguém há-de calar o Chega, tirando o Chega

Quando o Chega fala, prejudica o Chega – logo, é melhor calar o Chega para dar mais voz ao Chega. Se o Chega não se cala, vai acabar por se calar. Mas, se se calar, aí ninguém o cala. É simples.

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Sopa e sobremesa no quadro da UE

É como se, na nossa família, a pessoa a quem dizemos que não tem direito a sobremesa, por não ter comido a sopa, tivesse o poder de impor que, nesse caso, ninguém mais teria direito a sobremesa – mesmo os que comeram a sopa

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Outra vez arroz

A brigada da literalidade é vasta, muito diversa e, além de comer arroz-doce a pensar que é arroz de marisco, também come gelados com a testa

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Não se precata nem se deixa precatar

É bastante óbvio que, quando Portugal conseguir comprar, distribuir e administrar a nova vacina da Covid-19, já outro vírus apareceu

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Diário de Rui Rio

Hoje, durante um passeio pelos Açores, encontrei um ovo. É um ovinho tão bonito que resolvi trazê-lo para casa. Vou dar--lhe calor e ajudar o pintainho a nascer. Algumas pessoas estão a criticar-me por trazer o ovo para dentro de casa. Realmente, não há limites para a crueldade das pessoas

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Estado de emergenciazinha

O Governo optou por uma solução híbrida que nem sufoca por completo nem deixa propriamente respirar. Parece-me evidente – e estranho que nenhum comentador o tenha ainda notado – que estamos perante um caso de asfixiofilia política

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Senhores passageiros, estamos tramados

Se Marta Temido pilotasse aviões, pegaria no microfone para dizer: “Senhores passageiros, o combustível acabou e vamos agora em direcção a uma montanha que tem um ar especialmente rijo. Preparei alguns gráficos que detalham com bastante exactidão o que vai acontecer às vossas cabeças”

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Esta semi-recta fez-me dói-dói

Não sei bem que tipo de privilégio se imagina ter para reclamar o direito de não ser ofendido, mas deve ser óptimo

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Buraco sem fundo de resolução

O orçamento deixou de ser uma manta curta e passou a ser um lencinho. Já não é possível optar por tapar uma parte, passando frio na outra. Com o lencinho, a única hipótese é tapar apenas as vergonhas. O problema é que Portugal é um país que tem umas vergonhas bastante grandes, e o lencinho não consegue tapá-las todas

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Ética para totós

Manifestar no Twitter o desejo de que Trump morra é vudu cibernético. Tenho a forte suspeita de que é inútil exprimir esse desejo – e, também por isso, igualmente inútil proibir que ele seja expresso

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