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Inteligência artificial: da tempestade perfeita à viagem sem respostas fáceis

Web Summit

Diana Tinoco

Sensores que geram universos de dados para interpretar e questões éticas pelo meio. A revolução no cérebro das máquinas não vai deixar nenhuma indústria imune. São as únicas certezas do presidente da Samsung Electronics sobre a inteligência artificial. A viagem será "difícil", mas a tecnologia acabará por ser benéfica, admite.

Só se sabe que vai chegar e que mudará o mundo como o conhecemos. Como e quando em concreto? “Vai ser uma viagem difícil, não haverá respostas fáceis,” resume o presidente da Samsung Electronics.

Young Sohn, que esta terça-feira encerrou as intervenções no palco central no segundo dia da Web Summit, só antevê que haverá “grandes oportunidades” e grandes mudanças no mundo, com todas as indústrias a serem afetadas.

“A inteligência artificial está a dar forma ao nosso futuro,” resumiu. E isso não só nas aplicações tradicionais, mas também na gestão de energia, transportes, navegação, automóvel, pagamentos. Com esta multiplicidade de aplicações do novo petróleo, vêm os problemas éticos associados à inteligência artificial, ao uso dos dados.

“Vamos criar mais ou menos empregos? Vamos ser mais diversificados? Não tenho uma resposta para vocês. A responsabilidade está connosco enquanto empresa, convosco enquanto consumidores e com os governos,” disse perante um Altice Arena quase cheio de espetadores.

Certo é que os dados vieram para ficar e já são reis em áreas como o consumer mobile, internet das coisas, inteligência artificial, cibersegurança ou clouds. De tal forma que “é uma tempestade perfeita,” resume Young Sohn.

Atualmente, segundo números que apresentou, existem 340 biliões de biliões de biliões de endereços IP. “O que fazemos com todos esses dispositivos ligados? A expansão dos dados é exponencial nos próximos anos,” avisou, tal como será a capacidade tecnológica para os tratar, com computadores cada vez mais baratos e poderosos.

E apontou dois exemplos: na saúde, com a informação obtida através de sequenciação genética - “A genética é a ponte” - a fornecer bancos de dados biológicos, permitindo melhores diagnósticos, prevenção e cura; e nas estradas com o desenvolvimento de sensores que garantam a segurança da condução autónoma. E com os sensores virão as quantidades enormes de dados que é preciso processar, frisou - 500 gigabytes atualmente contra 50 terabytes no futuro.

Quando é que os carros autónomos surgirão? “É uma pergunta que me fazem muitas vezes. Os smartphones também não aconteceram de um dia para o outro. É preciso ter os componentes certos, a conetividade certa. (...) Temos de ser pacientes porque a tecnologia vai ser benéfica.”

Uma certeza Young Sohn tem: o negócio será ganho por quem criar as pontes para esse futuro. “No gold rush em San Francisco quem fez o dinheiro foi quem criou as infraestruturas, as pás, os caminhos de ferro,” concluiu.