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Porque é que a primeira maratona percorrida em menos de duas horas não conta como recorde

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HERBERT NEUBAUER/Getty

O queniano Eliud Kipchoge foi o primeiro homem a correr 42,195 km abaixo dos 120 minutos. Mas será que bateu um recorde ou fez batota?

Foi notícia em todo o mundo: pela primeira vez na História, alguém percorreu a distância da maratona em menos de duas horas (120 minutos), em Viena, no sábado, 12. Mas, tecnicamente, não se pode dizer que se tenha corrido uma maratona, uma vez que não se tratava de uma competição: o INEOS 1h59 Challenge foi um evento planeado ao milímetro para que o queninano Eliud Kipchoge, 34 anos, atual recordista mundial da maratona, conseguisse cortar a meta dentro da marca de uma hora e 59 minutos. Os pormenores que ajudaram o atleta a atingir o tempo histórico, no entanto, fazem com que não seja aceite como recorde oficial.

Quais foram, então, os truques que permitiram a Kipchoge realizar este feito?

– O percurso circular de quase dez quilómetros foi delineado de forma a ser o mais plano e a direito possível, e muito perto do nível do mar (onde há as melhores condições de oxigénio e de pressão atmosférica)

– Em alguns locais, estavam assinalados na estrada os percursos mais rápidos (indicando, por exemplo, os melhores locais para se cortar uma curva)

– Equipas de corredores profissionais de longa distância foram-se revezando, aos sete de cada vez, para correrem à frente de Kipchoge e assim cortarem o vento (como se faz no ciclismo)

– Um carro seguia à frente para marcar o ritmo

– Um ciclista acompanhou sempre o queniano para lhe dar, sempre que ele quisesse, bebidas ricas em hidratos de carbono

– Eliud Kipchoge correu com um modelo (ainda não disponível comercialmente) de sapatos de ténis da Nike, que melhora substancialmente o rendimento dos atletas

– O evento não foi marcado para um dia específico - havia uma janela de 8 dias, para que a corrida acontecesse no dia com as melhores condições atmosféricas possíveis