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Apps que fazem a diferença

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Recorrendo à comunicação alternativa e aumentativa tradicional, esta app facilita a vida a quem não ocnsegue expressar-se bem

José Oliveira

Alunas do secundário criaram um software inclusivo e ganharam o concurso nacional Apps for Good. Inglaterra à vista para uma disputa internacional? Mas há outros exemplos que tentam mudar (ou melhorar) o mundo

Os mentores do concurso Apps for Good nunca entraram na escola básica e secundária de Santo António, no Barreiro, mas até parece que falam para os alunos deste território educativo de intervenção prioritária, encravado entre dois bairros sociais. "Os sistemas de educação tradicional estão a desperdiçar talento. Muitos jovens sentem-se desmotivados com os métodos de ensino que os deixam mal preparados para o mundo real", lê-se no site da empresa que aposta nos cérebros jovens e na sua relação privilegiada com as novas tecnologias. Esta foi uma das 16 secundárias escolhidas em Portugal para a internacionalização da ideia Apps for Good (só se fez por cá e nos EUA), um projeto que já desafiou 600 escolas do Reino Unido a criarem aplicações que resolvem problemas.

Talvez as amigas Vera, Daniela, Nélida, Isabel, Kaila e Luana, com idades entre os 17 e os 21 anos, não tenham a noção da responsabilidade que lhes caiu no colo. Foram elas que, durante o ano letivo passado, gastaram horas infinitas a desenvolver uma aplicação para telemóveis e tablets, com o apoio das professoras Sofia Milheiro, de Língua Portuguesa, e Paula Domingues, de Tecnologias de Informação e Comunicação. Até junho, criaram a Mais Especial, uma aplicação para os alunos com necessidades especiais das seis escolas do agrupamento, a tempo da final regional com os candidatos do Centro Sul, onde apresentaram dezenas de vezes a App EBSSA + Especial. Um júri que andava disfarçado por entre as bancas atribuiu-lhes o primeiro prémio e com isso ganharam o passaporte para estarem na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, na final nacional, em setembro.

Nessa cerimónia, Isabel foi escolhida para subir ao palco e, em três minutos, mostrar o que a aplicação vale. Luana repetiu o discurso em inglês. Explicaram que a construíram a pensar nos colegas do ensino especial, digitalizando as imagens que já os ajudavam a comunicar, mas que, na verdade, a ferramenta pode ser útil a qualquer pessoa que tenha dificuldades de comunicação e conheça esta linguagem. O júri atribuiu-lhes o primeiro prémio. E uma das empresas patrocinadoras ofereceu tablets a todas as meninas, como recompensa por todo o esforço. Ainda hoje sorriem ao falar nesse momento. Agora esperam pela oportunidade para irem a Inglaterra disputar o prémio internacional.

Outras apps que mudam o mundo

Ajudar está, cada vez mais, na ponta dos dedos

1 Alimentar com um toque

O que é possível fazer com €0,40? Muito, mostra a app ShareTheMeal lançada pela ONU. Um donativo deste valor é suficiente para alimentar uma criança por dia. Até ao Natal, os utilizadores deverão garantir 20 mil refeições para crianças refugiadas sírias.

2 Socorro instantâneo

A app112 foi criada por um empresário surdo português e facilita os pedidos de ajuda de pessoas surdas, com deficiência ou idosas. Basta carregar num botão e é lançado um alerta dirigido a instituições ou familiares.

3 Quem vai ajudar hoje?

Todos os dias a One Today, criada pela Google, apresenta uma nova organização solidária aos utilizadores e pede-lhes 1 dólar. O donativo pode ser partilhado nas redes sociais para inspirar os amigos a fazerem o mesmo. VM