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Filipe Luís

Filipe Luís

Editor Executivo

Notas da silly season

Sexto Sentido

Filipe Luís

Paulo Jorge Figueiredo

Não tínhamos conhecimento de qualquer conferência da extrema-direita até que os movimentos anti-fascistas fizeram a publicidade gratuita do evento. Temos de ser uns para os outros…

1 – A extrema direita

A conferência de organizações de extrema-direita europeia, agendada para este fim-de-semana, em Lisboa, corre o risco de passar despercebida, face ao tumulto provocado pela iminente greve dos motoristas de transportes de matérias perigosas. Aparentemente, houve uma falha de comunicação entre as duas organizações (não devem falar uns com os outros…) e a greve ofuscará a conferência. A não ser que…

A não ser que haja uma mão amiga, vinda dos chamados “movimentos anti-fascistas”, eufemismo, neste caso, usado para designar ativistas de extrema-esquerda, que, com a prevista manifestação contra a dita conferência, poderão provocar alguma tensão, sempre procurada pela comunicação social, especialmente por certos canais de televisão. Em verdade vos digo: eu próprio não teria tido conhecimento de qualquer conferência da extrema-direita se não fosse a publicidade gratuita que dela fizeram os tais movimentos anti-fascistas. Quem disse que os extremos não se tocam?… Os tais extremistas de direita devem ter esfregado as mãos de contentes, quando viram o bruá provocado pelos seus antagonistas à esquerda, que fizeram o trabalho de divulgação por eles. Aliás, tal como os movimentos terroristas do tipo DAESH, estas organizações vivem do impacto que conseguirem obter no espaço mediático. E a mãozinha dada pelos “antifascistas” revela-se, neste caso, preciosa.

Percebe-se porque vêm a Lisboa: Portugal é um dos poucos países da Europa onde estes movimentos ditos populistas não têm qualquer expressão. Pelo que precisam a todo o custo, de se mostrar entre nós. Mais do que propaganda, o que eles vêm fazer é publicidade (dois conceitos ligeiramente diferentes). Ora, a comunicação social (CS), neste caso, é essencial. Mas a CS não lhes daria grande atenção se não fosse pela polémica levantada pelos chamados anti-fascistas…

Convém que se diga: estas organizações têm provado ser adversárias declaradas da liberdade de expressão, da livre e rigorosa informação e da imprensa em geral, ao mesmo tempo que tendem a viver da propagação das noltícias falsas, ou das chamadas fake news. Eu, como jornalista, tenderia a responder à guerra com a guerra, abrindo uma exceção no dever de informar, e ignorando completamente as suas iniciativas. No entanto, o dever de informar é mais forte do que eu, pelo que optaria por tratar a conferência num estilo noticioso seco, sóbrio e breve – correspondente, aliás, ao real impacto social e de interesse público que estes movimentos têm entre nós – e sem lhe dar qualquer destaque especial. Mas vêm os anti-fascistas e estragam tudo…

Acresce que, como reconheceu a própria deputada do PS, Isabel Moreira, embora a constituição proiba a formação de organizações fascistas em Portugal, ela garante a liberdade de reunião e de manifestação, o que é coisa diferente. Pelo que o argumento constitucional dos organizadores da manifestação “anti-fascista”, para proibir a conferência, não colhe, sob nenhum prisma.

2 – Os camionistas

Há pouco tempo, numa pequena viagem pelo sul de Espanha, passei por um gigantesco parque de combustíveis, uma Aveiras gigante, na região de Huelva. E pensei: se os camiões espanhóis cobrem o extenso território do país vizinho, o fornecimento a Portugal seria, para eles, desde que atempadamente planeado, um pequeníssimo esforço adicional. No caso concreto de Huelva, podiam abastecer calmamente o Algarve e o Alentejo, pelo menos, até à Península de Setúbal. Sendo governo, eu deixaria os sindicatos e os patrões a falar uns com os outros, não me metia nesse vespeiro, e contratava os serviços dos camiões espanhóis para o abastecimento nacional, pelo menos nalgumas regiões, enquanto durasse a greve. Teria, claro, de ter algum trabalho na prevenção e segurança, para evitar boicotes ou sabotagens, e uma pele dura e argumentação jurídica para aguentar as acusações de “ilegalidade”, no esvaziamento dos efeitos da greve...

Mas tudo isto são teorias: a realidade é a de que o Governo decretou serviços mínimos XXL que deitam abaixo qualquer pretensão de direito à greve e só podem servir de pretexto, dado o seu inevitável incumprimento, à posterior requisição civil. Não valia mais assumir e começar logo por aí, evitando o caos que, nesta quinta-feira, quando escrevo, já se sente nos postos de abastecimento do País?... Com o “mundo ao contrário” do PCP a criticar o Governo e o CDS a aplaudi-lo, pergunto-me o que não seria se fosse um governo de direita a impor estas condições draconianas aos desgraçados dos camionistas.

Duplamente desgraçados: entregando o seu destino ao aventureirismo de um obscuro advogado com tiques de aprendiz de feiticeiro, olham para o lado e observam as conquistas laborais já obtidas pelo outro sindicato, o FECTRANS, enquanto aguardam inocentemente que Pardal Henriques os conduza para o beco sem saída da via sem diálogo – ou, talvez pior, a uma desobediência civil com a qual não só não ganharão nada, como perderão o respeito que todos nós devíamos ter por eles.

3 – Ainda as golas

Observei, das férias, a novela tipicamente de silly season das golas de fumo dos kits de emergência contra incêndios, distribuídos à população. Alegadamente, as golas eram inflamáveis. Pois não houve uma alminha que esclarecesse que as golas se destinavam a atravessar o fumo e não o fogo, ponto um, e, ponto 2, que quando uma labareda chegasse ao pescoço do seu portador, pouco importaria se a gola era inflamável ou não era. Na verdade, tal artefacto, como parece ter ficado posteriormente demonstrado, não serve para nada. Ou por outra – e isto é grave e não tão silly season assim: serviu para dar a ganhar dinheiro a alguém. Pois bem: hoje sabemos a quem. E consequências, para além da demissão do “padeiro”?

Já agora, convém acrescentar que, quando o Laboratório de Estudos sobre Incêndios, coordenado pelo prof. Xavier Viegas, fez o necessário teste e provou que as golas, embora se desfaçam, não inflamam com a proximidade do lume, o ministro da Administração Interna veio mostrar-se ufano e triunfante. Ora, pelo contrário, devia ter pintado a cara de preto, ao assumir, tão candidamente e sem o querer, uma negligência imperdoável: quer dizer que os testes não tinham sido feitos ANTES da distribuição das golas! E que só foram realizados para tirar a coisa a limpo, perante as críticas da imprensa! Mas como é que se distribuem kits sem os testar?! Perante isto, o que fez o ministro? O mesmo que os americanos fizeram no Vietname: declarou vitória e retirou.

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