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Não vai deixar saudades

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Miguel Portela

Se a pobreza do seu mandato já pouco poderá dizer em seu benefício, ao destratar o rugby em praça pública como o fez nesta ultima entrevista (aliás à semelhança de outra anteriores), estou em crer que nem do juízo de fraco carácter se livrará…

Luís Cassiano Neves

Luís Cassiano Neves

Como dizia o jornal, “não deixa saudades”… A última entrevista dada pelo demissionário presidente da Federação Portuguesa de Rugby (presidente com p pequeno), Luís Cassiano Neves, é o reflexo da falta de responsabilidade, competência e verdade que o mesmo demonstrou pela modalidade ao longo dos tempos. Uma entrevista que, na minha opinião, não é mais do que uma jogada politica para, dentro de pouco tempo, o senhor estar a ocupar um cargo num instituto público qualquer. Pode ser que me engane mas não creio…

Sobre a entrevista em si, é deplorável como o senhor, em defesa do seu interesse próprio, vem minar, com insinuações, informações e comentários, tantos agentes do rugby português. Não tem pejo em vir, passado anos, invocar uma alegada agressão à sua pessoa por um dirigente de um clube? Se isso é verdade, é lamentável que, passado tanto tempo e num momento em que o senhor sai derrotado (em toda a linha) do rugby nacional, amargurado, venha fazer esse desabafo tão gravoso – que se calasse para sempre Se é mentira, correrá o risco de lhe ser movida a competente queixa-crime por difamação.

Não tem pejo em vir informar o salário de treinadores (que lealmente o serviram), indicando que, nos 7s, só o treinador e o manager ganhavam 150.000€ ano!? Além de indelicada e desajustada essa informação é mentira.

Não tem pejo em vir elogiar os autores de um esquema processual que culminou com uma decisão absolutamente desajustada e ilegal (como se veio a confirmar) e, ao mesmo tempo, descredibilizar a decisão que o derrotou em toda a linha.

Não tem vergonha na cara em vir para os jornais revelar mensagens privadas de pessoas que lhe tentaram resolver problemas para os quais o senhor não teve a mínima competência de o fazer.

Uma vergonha como chama a si a introdução do Rugby nas Prisões… Não deve fazer a mínima ideia do que se trata. Manel Cortes (Grupo Desportivo Direito), António Abreu (também Grupo Desportivo de Direito) e Henrique Garcia (um excelente técnico da FPR e bom homem do nosso rugby) são sim os grandes motores e responsáveis por este facto. A eles aproveito para dar os parabéns pelo primeiro jogo de Rugby realizado entre Estabelecimentos Prisionais (Lisboa vs. Vale de Judeus). A eles e a todos os jogadores e agentes ligados ao rugby que, durante este tempo, foram dando asas e tornando possível este projeto.

Uma vergonha como chama a si o sucesso do rugby juvenil… Esse sucesso já vinha de longa data e assenta essencialmente no trabalho feito pelos Clubes que ele tanto critica e pelas associações regionais que, tantas vezes e legitimamente, andaram de costas voltadas para a FPR.

Até na seleção que melhores resultados tem tido a nível internacional, a nossa seleção sub20, o mérito do presidente demissionário é desastroso. Além na ausência do acompanhamento dos trabalhos da mesma, a sua incompatibilidade com os Treinadores principais (estes sim de enorme mérito e carácter), a incapacidade de lograr suporte financeiro para prepara a equipa, etc., seriam motivos para o presidente se envergonhar do trabalho (falta dele) realizado.

Diz o presidente que deixa o rugby mais preparado para encarar o futuro…….

Eu sentir-me-ia um verdadeiro irresponsável, incompetente e inverdadeiro se deixasse o rugby, a meio de Julho, com o campeonato por decidir; sem campeonato definido para a época que vem; sem árbitros; uma equipa sub20 em véspera de importantíssimo campeonato do mundo sem dirigentes; situação financeira complicada... Mas o presidente demissionário, pelos vistos, não sente nada disto…

Tal como também não sente que, ao vir para os jornais com afirmações gravosas como a que faz na entrevista dá mais um tiro na imagem (o grande património) no nosso rugby?

Eu percebo que, face ao inoperante mandato que presidiu, se tenha sentido tentado em queimar tudo e todos para salvar a sua pele. Mas, se da pobreza do seu mandato já pouco poderá dizer em seu benefício, ao destratar o rugby em praça pública tal como o fez nesta ultima entrevista (aliás à semelhança de outra anteriores), estou em crer que nem do juízo de fraco carácter se livrará….

Não deixa saudades!

Quanto ao futuro, não tenho dúvidas que os agentes do rugby saberão encontrar a rota do sucesso. Que todos, em conjunto, saberão demonstrar que, não obstante episódios menos felizes ou mais graves que acontecem, aconteceram e acontecerão (como em tudo na vida), os valores do rugby estão vivos e serão a base de um futuro bem melhor do que aquele que se viveu durante o mandato do presidente…

Um futuro onde as nossas Seleções, acima dos interesses de cada clube, serão o orgulho de todos os nossos dirigentes, jogadores, adeptos.

Um futuro onde os Clubes serão reconhecidos como o motor vital do nosso rugby….

Um futuro onde o trabalho realizado por Clubes de divisões inferiores é admirado pelos Clubes da primeira divisão.

Um futuro onde os Clubes de divisão inferiores reconheçam a importância do Clubes das divisões superiores e, nesse reconhecimento, aceitando as dificuldades que sempre existirão numa modalidade desportiva que não seja o futebol, tenham a ambição de conquistar um lugar nessas divisões.

Um futuro em que os blogs, plataformas e páginas sobre rugby se preocupem e se motivem em discutir, permanentemente, os bons resultados das selecções; a evolução dos nossos campeonatos; os feitos heroicos do nosso rugby feminino; o lugar na Elite da nossa selecção sub20; jogadores nacionais a vingarem em campeonatos internacionais; o surgir de novos nomes na arbitragem, etc., etc….

Um futuro que venha provar que, todas as dificuldades, obstáculos intransponíveis e guerras apregoadas pelo presidente, sejam apenas fruto da sua falta de competência.

Miguel Portela

Miguel Portela

RUGBY

Advogado e ex-jogador de rugby. Foi 63 vezes Internacional da Selecção de XV, Lobo no Mundial 2007, participou em dois mundiais de 7s e sagrou-se nove vezes campeão nacional ao serviço do Grupo Desportivo Direito. Casado, pai de 4 filhos, diretor da Formação do GDD e treinador da escalões juvenis do GDD.