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Cristina Amaro

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48 horas em Nova Iorque

High Line, uma linha elevada que nos anos de 1900 começou a ser considerada a linha da morte. Tornou-se, agora, no parque que quase não era para ser.: uma linha de ferro que se transforma em jardins suspensos

Só no regresso a Lisboa, já a escrever as primeiras linhas deste texto, me apercebi da coincidência que junta as 48 horas que estive em Nova Iorque, em reportagem para o Imagens de Marca, aos 48 anos de vida que pela primeira vez celebrei na cidade que nunca dorme.

Quem já conhece dezenas de países pela Europa fora, e por outros continentes, não fica deslumbrado pela metrópole americana...acima de tudo quem, como eu, não aprecia confusão, gente e trânsito amontoado, e não gosta de ambientes pesados e esgotantes. Nova Iorque é uma cidade tensa, stressada. Talvez a tenha sentido ainda mais assim por não ter tido tempo de a viver para além das horas de trabalho de gravações. Que foram muitas e exigentes.

Mas como tudo na vida tem um lado bom e um menos bom, e o mais forte, em nós, é o que escolhemos...vou recordar da minha primeira ida a Nova Iorque o que de melhor de lá trouxe. E foi o que menos esperava.

New York. A dos filmes, será sempre New York. Times Square terá sempre o encanto da luz dos outdoors vibrantes mas as cidades, hoje, têm de ser mais do que isto. Têm de ser mais sustentáveis. Têm de ter mais pontos de escape. Nova Iorque percebeu isso. No último dia de viagem, já a preparar o regresso, fomos conhecer um local com alguns anos mas que continua a ser o Spot do momento e não foi preciso muito para perceber porquê.

High Line foi uma surpresa. A história remonta a 1800, época em que foi construída a linha de ferro que dava suporte à zona industrial da cidade. Uma linha elevada que nos anos de 1900 começou a ser considerada a linha da morte. Tornou-se num ponto negro da cidade e entrou em decadência ao ponto de fechar e ficar a aguardar demolição.

Não foi. Não foi demolida mas também não se tornou num cancro numa cidade que já tanto tem de “doente”. Tornou-se sim no parque que quase não era para ser...uma linha de ferro que se transforma em jardins suspensos. Um exemplo de como as cidades se devem comportar no futuro, de como devem aproveitar a sua história para a reescrever em novos capítulos de sustentabilidade e qualidade de vida. De como devem transformar o peso em leveza... Jardins mais perto do céu que permitem que cada um de nós cuide de uma planta, que cada Nova Iorquino se torne num amigo e que faça parte de um projeto que ajuda a cidade a ser um melhor local para viver.

O conceito é tão interessante que já inspirou milhares de pessoas pelo mundo e se tornou num exemplo de como as cidades podem reutilizar os espaços industriais. É seguramente um desafio dos nossos tempos e um exercício obrigatório para quem vive em grandes centros: como manter os habitantes na cidade em vez de os ver sair nos tempos de lazer. Apaixonante!

As 48 horas foram poucas para percorrer toda a ilha de Manhattan, mas suficientes para descobrir que os espaços verdes, as casas com varandas e os Rooftop ganham importância. Por isso, se por estes dias for à cidade que nunca dorme, para além dos locais turísticos e as compras que seguramente não resistirá a fazer num fim de semana prolongado, tire um bocadinho do seu tempo para visitar os jardins suspensos de Nova Iorque. Jardins que se prolongam da 12th Street até à 34th Street e que o levam da pressão dos arranha céus à margem do Rio Hudson. Asseguro-lhe que vai descomprimir...

Welcome to the park that almost wasn´t... Love it. Explore it. And inspire you on it.

Cristina Amaro

Cristina Amaro

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Cristina Amaro é licenciada em Publicidade e Marketing pela Escola Superior de Comunicação Social. Tem uma Pós-Graduação em Gestão de Imagem pela Universidade Nova de Lisboa e Complutense de Madrid e uma especialização em Marketing pela Universidade Católica de Lisboa. Começou por trabalhar na área da publicidade e ingressou no jornalismo em 1997 como redatora da revista Exame, tendo sido posteriormente Editora no Semanário Económico e na revista ganhar.net, subeditora de economia do jornal Euronotícias e colaboradora das revistas Ideias & Negócios, Prémio, Única e Marketeer. Em 2003 dedica-se a tempo inteiro à empresa que fundou, hoje I’M in Motion, para criar projetos inspiradores e de informação positiva em televisão. Em janeiro de 2004 estreou o Imagens de Marca – o primeiro magazine de informação sobre comunicação e marketing em Portugal, formato de que é autora, diretora e apresentadora. Um ano após a estreia do Imagens de Marca, a Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing (APPM) distinguiu Cristina Amaro pelo carácter visionário e inovador do projeto, tendo tanto o programa como a sua criadora vindo a arrecadar vários prémios desde então. Líder carismática, envolve e motiva diariamente as suas equipas. É ela própria um caso de sucesso empresarial. Várias vezes questionada sobre o segredo do seu sucesso, a jornalista, diretora editorial e pivot do programa de maior longevidade da SIC Notícias (e um dos mais históricos na TV portuguesa) o Imagens de Marca, continua a assumir como fonte do seu sucesso, os traços originais de humildade, paixão e muita dedicação para com os projetos a que se entrega.