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Brinquedos de que me apetece falar

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O Cozmo é um dos primeiros brinquedos anunciado como tendo alguma coisa próxima da inteligência artificial, vai saber se estamos tristes ou contentes, vai começar a reagir às nossas emoções

Apetece-me falar do Cozmo e o entusiasmo justifica-se em grande parte porque ainda não o experimentei, eventualmente depois acalmo. Acontece que o Cozmo é um dos primeiros brinquedos anunciado como tendo alguma coisa próxima da inteligência artificial. É da Anky, a empresa que fez uma impressionante pista de carrinhos em que os carros não precisam de guias, “sabem” onde estão e onde estão os outros. A pista era, e é, suficientemente impressionante para Steve Jobs ter decidido mostrá-la ao mundo numa das suas famosas apresentações. Melhor publicidade não podia ter tido. O Cozmo em vez de saber onde está a pista vai saber se estamos tristes ou contentes, vai começar a reagir às nossas emoções (pausa para pensar onde é que isto vai parar).

DR

Bom, já anda lá perto, ainda não vê as nossas emoções mas ao que parece vai passar a fazê-lo, apenas com uma actualização do programa. Ver os vídeos do Cozmo a interagir com pessoas já é divertido, mais ainda será porque o pequeno robot não reage sempre da mesma forma ao mesmo estímulo. A capacidade de empatia de uma coisa destas é monstruosa. Nós humanos somos capazes de empatia com objectos inanimados com uma facilidade impressionante, quando eles reagem aos nossos estímulos então nem se fala. Ainda não brinquei com o Cozmo mas se é mesmo tudo o que se diz, é apenas um dos primeiros de toda uma nova geração de brinquedos capazes de interagir a um nível totalmente novo com os seus donos. Ao mesmo tempo vêm aí todos os aparelhos que se propõem ser verdadeiros assistentes da nossa vida comandados apenas pela voz. Siri omnipresentes numa casa. Eu podia ficar aqui a descrever as brincadeiras de que o Cozmo é capaz mas vai perceber muito melhor no site da empresa.

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Também ainda não brinquei com o outro gadget de que me apetece falar, mas está aqui ao meu lado à espera que eu acabe o texto da VISÃO. Aqui pergunta-se porque é que eu não vou brincar antes para escrever sobre ele. Porque não preciso. Estou a falar do Nintendo Classic Mini ou NES Edição Clássica (NES - Nintendo Entertainement Sistem). É uma versão reduzida da NES original e com outras capacidades como a de poder funcionar com as televisões atuais, tem HDMI, e 30 jogos incluídos. Os jogos são clássicos, como os primeiros Super Mário, Metroid e até o Pacman, com os gráficos originais tal como eram jogados na segunda metade da década de 80. Os mais puristas não terão gostado que a Nintendo mudasse o tamanho e não incluísse os originais cartuchos de jogos. Mas a marca fez aqui um compromisso interessante. Ao mesmo tempo que joga na nostalgia, apela já aos mais novos também, a simplicidade da consola faz com que possa ser um bom sistema de entrada. Muitos também não terão vontade de ocupar o espaço da grande máquina original com um gadget que está muito longe das capacidades das consolas actuais. Não é com esta máquina que a Nintendo tenciona recuperar do relativo insucesso da Wii U, isso é para outro campeonato. Não deixa de ser divertido para alguém da minha geração dar com uma coisa destas no mercado da nostalgia e ver o que se fez entretanto.

Tanto quanto sei o Cozmo não se vende por cá e custa 180 dólares. A NES mini já está à venda por cá e custa 60 euros.

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

TECNOLOGIA

Jornalista e editor de Novas Tecnologias na SIC