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Entrevistas e entre vistas

Nós lá fora

Nuno Guerreiro

Flatiron quando me mudei em 2007, foto tirada pelo meu blackberry, o meu primeiro telefone cá.

NOVA IORQUE, EUA - Quando for grande, quero que as "entrevistas e entre vistas" na minha vida pessoal, sejam exatamente como são as profissionais são agora. Há que aprender e aproveitar e focar no percurso, versus por toda a energia no destino

No meu percurso profissional, que tem sido maioritariamente em Nova Iorque, já fui entrevistado muitas vezes e já entrevistei outras tantas. Tanto, que como muitos, penso que é igual em todo o lado. Em conversa, amigos em Portugal disseram-me que não era bem assim. Ah, o fenómeno da aculturação, até no mundo corporativo.

Por cá, a minha experiência nos processos de entrevistado e entrevistador sempre foi de muita transparência e de ir direito ao assunto. Normalmente, o processo acontece por uma chamada telefónica ou uma videoconferência, e algumas vezes em pessoa. A tecnologia em função de eficiência, Nova Iorque no seu melhor! Mas questiono-me se não se perderá um pouco na qualidade da avaliação, pois há menos conexão humana, e terá isso algum custo?

Ao olhar para o passado, reparo também em diferenças nas experiências e sentimentos como entrevistado ou entrevistador. Ao falar das minhas situações de sucesso na carreira, ao ser entrevistado, sinto pequenas vitórias e orgulho nos obstáculos e conquistas feitas. Porém, ao descrever situações que não correram tão bem, o primeiro sentimento é o de falha, e que errei, porque será? Já quando entrevisto, e escuto ou partilho, situações profissionais que não correram bem, vejo-as como oportunidade de crescimento e observo a reação à situação mais do que propriamente o resultado.

Será bom ser o meu pior crítico?

Há uns anos diria que sim, tudo pela perfeição, essa era a minha visão até há algum tempo atrás. Não sei se é dos 40 anos, mas agora acho essa atitude menos saudável e sustentável.

Continuo a achar bom continuar a ter uma consciência crítica e ter presentes os meus resultados, porém, subscrevo o cliché, de que a aprendizagem e a satisfação está no percurso, e não no destino.

Mais, ao escrever esta crónica questiono-me na minha vida pessoal, será que é igual? Será que tenho a mesma visão? Concluo que, quando for grande, quero que as "entrevistas e entre vistas" na minha vida pessoal, sejam exatamente como são as profissionais são agora. Há que aprender e aproveitar e focar no percurso, versus por toda a energia no destino.

Vista do primeiro escritório em Chelsea, em 2007

Vista do primeiro escritório em Chelsea, em 2007

VISTO DE FORA

Dias sem ir a Portugal: 144 dias.

Por aqui, fala-se muito das acções do Presidente descritas pelo antigo advogado, e do impacto das mesmas.

Sabia que por cá o trabalho o que chamaria de trabalho a tempo inteiro (ou contrato em Portugal), por cá não é fixo, e não tem termo, ou seja, pode-se cancelar (despedimento ou demissão) no próprio dia por ambas as partes, empregado e empregador.

Um número surpreendente, mais de 4 milhões de empregos em Nova Iorque, no final do ano passado, no sector privado, de acordo com o governo local.

Nuno Guerreiro

Nuno Guerreiro

NOVA IORQUE, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA Português que virou nómada e, recentemente, nova-iorquino. Após vivências por Düsseldorf, Barcelona, Dublin, Londres e São Paulo, chama casa a Nova Iorque. Depois de uma década no Google, tornou-se empreendedor na área de tecnologia, ao qual junta outras paixões como música, cozinhados e um gosto insaciável por viagens. Viveu na Margem Sul até aos tempos de faculdade, onde se licenciou em Engenharia Informática pela Universidade Nova. Completou também um duplo MBA, pela London Business School e Columbia University.