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Nós lá fora

Marta Gonzaga

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BALI, INDONÉSIA Bali é barato? Pode ser, se optarem pelos warungs, esquecerem dietas, regimes alimentares e fizerem muito surf para compensar

Comer

Em Bali podemos comer por muito pouco, apesar dos números nas notas virem aos milhares, mas também podemos, facilmente, gastar fortunas. Basta termos restrições ou cuidados alimentares muito específicos.

Os meus amigos que comem na rua, gastam num ano o que eu gasto num mês. Como? Passo a explicar:

Para quem quer gastar muito pouco em Bali, ou em qualquer outro lugar da Indonésia, e se dá bem com comida de rua, há por exemplo o típico Nasi Goreng (arroz frito). Este prato custa umas 8.000 rupias, que equivalem a uns 0,55 €. É muito saboroso, generosamente servido, e, de forma geral encontra-se em todas as esquinas. E quem gosta, gosta muito.

Mas tem demasiada gordura, intensificadores de sabor e outras "esquisitices" do género, que nos impedem de o transformar numa opção diária. Assim, quando temos de comer fora, vamos para restaurantes saudáveis, que são pensados para e por estrangeiros. Como tal, os preços são à medida. Quase todos têm opções vegan, vegetarianas ou sem glúten. Se juntarmos ao prato um sumo natural, a refeição fica numas 150.000 rupias. O equivalente a 10 euros por uma refeição muito leve.

A princípio andávamos muito contentes porque Bali é dos sítios, senão o sitio, com a comida saudável mais saborosa que conhecemos. Portanto, qualquer valor nos parecia uma pechincha. Mas quando comparávamos o que estávamos a gastar com o que os nossos amigos gastavam, percebíamos, invariavelmente, que estávamos a gastar demais.

Foi assim que começámos a diminuir, drasticamente, o número de refeições fora de casa.

Para refeições mais sofisticadas há imensas opções, mas os preços disparam.

A carne vem da Austrália, bem como o vinho. Ou então do Chile, de Itália e de muitos outros países, menos de Portugal. Como não é um produto muito bem-vindo, as taxas são muito elevadas e o preço por garrafa começa nas 600.000 rupias. Refeições desse tipo, em restaurantes sofisticados, chegam facilmente a um milhão de rupias, que corresponde a uns 75 euros. Se é dinheiro em Portugal, imaginem na Indonésia onde para muita gente, representa metade do seu ordenado.

Bali é barato? Pode ser, se optarem pelos warungs, esquecerem dietas, regimes alimentares e fizerem muito surf para compensar.

Dormir

Li algures que os Indonésios são o povo mais madrugador do mundo. Esse mesmo artigo mencionava que os portugueses seriam um dos povos que acordavam mais tarde. Nós tentámos mantermo-nos portuguesas nos hábitos, mas os galos não nos facilitaram a vida. Nem os cães.

No portão da nossa casa havia uma abertura lateral e todos os dias, a partir da meia noite, todos os cães da redondeza tinham encontro marcado no nosso jardim. Inicialmente achámos alguma piada, mas o barulho que faziam e os estragos que deixavam não nos deixaram muito espaço para a boa vontade pelo que mandámos reparar o portão. Às vezes pergunto-me onde se encontram agora.

Por volta das três da manhã começam os galos. Numa das viagens que fizemos às Gili, junto do nosso hotel havia um galo tão desafinado quanto persistente. Em desespero resolvi gravá-lo. Eram cinco da manhã. E a seguir fui procurar na wikipédia o porquê desde desatino. Até então, estava convencida de que os galos cantavam para anunciar o nascer do dia, mas online (vale o que vale) a informação que encontrei é a de que cantam para anunciar ao galinheiro que ainda estão vivos. Argh, por mim... tantas vezes que os imaginei numa panela.

Mas assim que nos habituámos a estes barulhos, dormir voltou a ser reparador. Além disso, há sempre a opção da sesta.

Curtir

A nossa casa fica em Canggu que, na descrição de muitos turistas é o sítio mais chill do mundo. É uma zona ótima para fazer surf (só fiz uma vez), para onde se mudaram criativos de várias áreas, e onde ainda não se sente uma grande pressão turística. Esperemos que se mantenha assim, porque está perfeito.

Não sei se será o sítio ideal para encontrar o amor como na história da Elizabeth Gilbert até porque há tantos mulheres e homens bonitos que deve ser difícil manter o foco, mas decididamente é um lugar para muitos amores de verão.

Apesar de sairmos com alguma regularidade, a vida dos bares é mais para os que vêm de férias ou mesmo de fim de semana.

Os nossos serões são passados em casa uns dos outros. E não temos televisão. Quase ninguém tem televisão em Bali. Existem algumas em casa de uma ou outra amiga. Servem para fazermos os vídeos de fitness às 8 da manhã. As dos hotéis não servem mesmo para nada…. talvez seja uma opção mais económica para decorar, em contraste, o branco da parede, porque o retângulo negro sempre é mais barato do que um quadro a óleo.

De dia e de noite está sempre calor, por isso no final dos jantares mergulhamos na piscina, conversamos tranquilamente no terraço, cobertos de perfume anti-mosquito e deixamo-nos distrair com os Geckos que, ao cair da noite, acordam para a caçada. Temos orgulho do Gecko mais rápido, torcemos para que o mais lento também se safe, refilamos com eles quando deixam algum insecto fugir e nunca estamos do lado dos mosquitos... A vida é tão colorida quando olhamos diretamente para ela.

VISTO DE FORA

Dias sem ir a Portugal: Escrevi esta crónica durante uma rápida viagem de Portugal a Marrocos. Estou em Portugal.

Nas notícias em Bali: Continua o braço de ferro entre as autoridades e a Google, com a Indonésia a querer cobrar impostos atrasados que o gigante de buscas não terá pago devidamente. Com a recusa de uma auditoria pela Google Asia Pacific, o caso foi transformado num processo crime. Estão em causa cinco anos de impostos que, de acordo com as autoridades da Indonésia, a Google só terá pago relativamente a menos de 0,1% da faturação no país. A Google reitera que pretende colaborar.

Sabia que por cá: É comum as pessoas cruzarem-se com os turistas e fazerem perguntas como: "donde és?", "para onde vais?" "com quem?". Inicialmente ficávamos muito incomodadas como se nos quisessem seguir, até que percebemos que estas perguntas não têm outra intenção a não ser a de conviver. Estas perguntas são frequentes. Mesmo no transito, as pessoas que estão ao nosso lado, paradas no mesmo semáforo, interpelam-nos. As respostas podem ser o mais vagas possíveis, devem é ser simpáticas, e isso chega para satisfazer a vontade de conversar. O semáforo abre e cada um segue alegremente para a sua vida. Também nós as começámos a fazer.

Um numero surpreendente: 1,555,609 de turistas estrangeiros visitou a ilha de Bali nos primeiros cinco meses de 2015. Embora os meses de Junho a Setembro sejam os mais desejados, a ilha tem excelentes condições climáticas para receber turistas todo o ano pois mesmo quando chove, costuma ser de curta duração e com o calor constante mal se dá por isso.

Marta Gonzaga

Marta Gonzaga

BALI, INDONÉSIA Iniciei em Outubro de 2015 uma viagem pela Ásia com a minha filha. Começámos por Bali e resolvemos fazer aqui a nossa casa, a partir de onde visitamos outros lugares. Consultora de Comunicação para empresas de diferentes áreas, com particular preferência para a implementação digital e para a internacionalização dos produtos e projetos portugueses. Estudei fotografia, a minha primeira paixão, no Ar.Co e bastante mais tarde já mãe e a trabalhar, fiz Ciências de comunicação na UAL. Entre tantas outras atividades, sou produtora e curadora do TEDxKids@CentralTejo, que terá de ficar suspenso, pelo menos, durante este ano. Mantenho a minha atividade e a nossa viagem pode ser seguida em www.ruaalegre.com