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Robert Louis Stevenson: O escritor que se interessou pelo Mal

Ler Faz Bem

Isabel Lucas

Conta-se que, um dia, em visita à Califórnia, o escritor escocês Robert Louis Stevenson terá corrido “como só correm os homens sábios e os cobardes”. Foi num dia em que pegou fogo a uma árvore e sem querer causou um incêndio. Quem conta isto é outro escritor, o espanhol Javier Marías, no livro Vidas Escritas, onde desconstrói de forma irónica a ideia cavalheiresca associada ao autor de O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde e de A Ilha do Tesouro. Continua Marías, numa síntese do perfil de Stevenson: “Se pensarmos em Long John Silver e em Mr. Hyde, no senhor de Ballantrae e no ladrão de cadáveres, não há motivo para nos surpreendermos por o seu criador ter uma moral ambígua, não propriamente no que se refere aos seus próprios atos, mas pelo menos enquanto espectador e ouvinte. O Mal interessou-o sempre e não rejeitava certas companhias, apesar daquilo que pudessem ter feito.”

Robert Louis Stevenson nasceu Robert Lewis Balfour Stevenson, em Edimburgo, Escócia, a 13 de novembro de 1850, numa família respeitada que o ensinou que deveria seguir os passos do pai e estudar engenharia. Assim fez, mas pouco depois desistiu. Com pulmões fracos, ia sendo enviado pela Europa à procura de ares mais favoráveis e acabou por confessar à família que a sua intenção era ser escritor profissional. A decisão foi mal acolhida, mas Stevenson começou a assinar textos de viagem em jornais e revistas. Numa dessas viagens conheceu uma americana e apaixonou-se. Foi em Paris. Ela chamava-se Fanny van de Grift Osbourne, vivia em S. Francisco, Califórnia, era casada, mas estava a separar-se. Quando ela voltou a casa, Stevenson, que entretanto afrancesara o apelido Lewis, seguiu-a numa viagem atribulada, em que fez de tudo para sobreviver. Acabaram por casar. Ele acabou por escrever. A Ilha do Tesouro, A Apologia do Ócio, The New Arabian Nights, Os Prazeres dos Lugares Inóspitos, O Pavilhão nas Dunas (obra celebrada por Italo Calvino).

Viveu com a mulher entre a Escócia e Londres, voltaram para os Estados Unidos depois da morte do pai. Stevenson punha a sua experiência a par dos temas da época e, quando saiu O Estranho Caso..., juntou-o à herança e comprou um iate levando com ele a família para os mares do Sul. A saúde ia-se sempre complicando e acabou por morrer na ilha de Samoa em 1894. Tinha 44 anos.