Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

As guerras secretas de Portugal em África

Visão História

Já está nas bancas um novo número da VISÃO História, dedicado às intervenções de Portugal em países vizinhos das colónias, entre 1961 e 1975. Fazia ideia de que tropas portuguesas invadiram a Guiné Conacri? Ou que pilotos portugueses participaram na guerra do Biafra?

Toda a gente sabe que o Portugal dos últimos tempos da ditadura travou em África uma longa Guerra Colonial de 13 anos. Também ninguém ignora que esse conflito deixou marcas profundas no tecido social – físicas, psicológicas, sociais, identitárias.

No que se pensa menos é no facto de essa guerra, assente em argumentação falaciosa e levada a cabo contra a lógica e a dinâmica da História, ter representado um esforço muito para além das potencialidades do País – grande duração no tempo, três teatros de operações, enormes distâncias, mobilização de recursos de toda a ordem. Dir-se-á que os movimentos independentistas das colónias eram militarmente mais fracos, mas essa análise precipitada não resiste a uma breve reflexão. Num tempo de Guerra Fria, eles tinham por detrás o apoio do bloco Leste e da China, quando não de setores do Ocidente defensores de uma nova e mais justa ordenação do continente africano, também na mira de não deixar prevalecer ali os interesses de Moscovo ou de Pequim.

Como foi então tão duradouro o esforço de guerra do Portugal de Salazar e de Marcelo Caetano? De duas formas: por um lado, contando com o apoio encoberto de países ocidentais como a Alemanha, a França e a Espanha e de potências regionais racistas como a África do Sul e a Rodésia; por outro envolvendo-se em guerras secretas no interior dos países vizinhos de Angola, Moçambique e Guiné, quantas vezes com o apoio dos também secretos serviços de informações de países ocidentais. É sobre esses apoios camuflados e essas guerras secretas de Portugal em África que se debruça este número da Visão História.

SUMÁRIO

Um longo 
braço-de-ferro Ao longo de quase 20 anos, a diplomacia do Estado Novo opôs-se 
com unhas e dentes ao reconhecimento do direito à autodeterminação e independência das colónias. Nem o grande aliado norte-americano conseguiu demover Salazar e os seus seguidores. Por Pedro Vieira

Armamento: orgulhosamente bem acompanhados Ao contrário do que Salazar proclamou, Portugal nunca esteve completamente isolado durante os 13 anos da Guerra Colonial. Foi o armamento fornecido pela França e pela Alemanha que permitiu combater. Por Francisco Galope

A Espanha na guerra ‘portuguesa Sem o auxílio do regime de Franco, 
Portugal teria tido maiores dificuldades 
em manter durante tantos anos a presença 
nos teatros de operações africanos. Por María José Tíscar

O coração das trevas Assim intitulou Joseph Conrad a sua descida aos abismos do mais negro dos colonialismos. Propriedade privada de um europeu que nunca lá se deslocou, depois laboratório de experiências coloniais e pós-coloniais, o Congo é o paradigma da História africana no último século e meio. Por Luís Almeida Martins

Portugal-Catanga, a aliança escondida O Governo de Salazar viu na secessão catanguesa, em 1960, uma oportunidade de obter em África um aliado precioso, e auxiliou Tschombé com todos os meios – inclusive militares – de que podia dispor. Por Ricardo Silva

Tschombé ao poder A PIDE organizou, em 1966, uma operação 
para derrubar o novo Governo de Mobutu. Por Ricardo Silva

E Angola ali ao lado Como os protagonistas e os lances do conflito 
no Congo foram vistos pelos jornais portugueses. Por Emília Caetano

Guerra do Biafra, a morte mediatizada Em 30 de maio de 1967, os Igbos do Sudeste da Nigéria declaravam a secessão. O conflito e o bloqueio impostos pelo poder central provocam mais de um milhão de mortos. Em janeiro de 1970, a «República do Biafra» era apagada do mapa. Por Pedro Caldeira Rodrigues

Mercenários para o Biafra A troco de bons pagamentos, pilotos e engenheiros portugueses qualificados viveram aventuras arriscadas durante o conflito nigeriano. Por Ricardo Silva

Voos com armas e alimentos A ponte aérea autorizada por Salazar e levada a cabo por traficantes de armas com uma componente alimentar, ajudou o Biafra a resistir aos federalistas nigerianos. Por Ricardo Silva

Matar a fome 
em São Tomé Durante cerca de ano e meio, a província portuguesa acolheu mais de 400 crianças vindas do Biafra, que assim escaparam à morte. E os habitantes da ilha viram pela primeira vez leite em pó. Por Cláudia Lobo

A ‘guerra’ da Beira O apoio português à Rodésia «branca» de Ian Smith envolveu a ação direta de Salazar e desencadeou um bloqueio britânico nas águas de Moçambique que se prolongou por quase uma década. Por Ricardo Silva

O 007 de Salazar Jorge Jardim era o homem certo para as operações mais secretas do Estado Novo. Formou uma «mini CIA» e tornou-se o «dono» de Moçambique. Para sobreviver, jogou uma última cartada – que falhou. Por J. Plácido Júnior

A ação encoberta da PIDE/DGS Uma das táticas utilizadas pelo Governo português foi, recorrendo ao uso de estrangeiros, desestabilizar e promover golpes nos países que apoiavam os movimentos de libertação. Por María José Tíscar

Os ‘espiões’ da Aginterpress Fascistas europeus ‘sobreviventes’ à II Guerra Mundial encontraram em Portugal campo fértil para colaborar ativamente nas operações 
de desestabilização em África. Por José Duarte de Jesus

Um mar de equívocos A Operação Mar Verde, através da qual as forças armadas portuguesas desencadearam – em novembro de 1970 – uma ação de guerra direta (embora encapotada) contra outro país, resultou estrategicamente num falhanço. Aqui se recorda a história do estranho ataque à Guiné-Conacri. Por Luís Almeida Martins

Uma aliança secreta O país do apartheid foi determinante para Portugal ter podido manter-se em Angola e Moçambique durante tanto tempo. Mas o ‘Exercício Alcora’, que também incluía a Rodésia, era top secret. Pot Aniceto Afonso

Os ‘Terríveis’ do Batalhão Búfalo Na hora dos ajustes de contas pós-independência, angolanos e portugueses comprometidos com o regime colonialista combateram pela própria sobrevivência numa famosa unidade militar da África do Sul do apartheid. Por Ricardo Silva

Para saber mais Quatro obras indispensáveis