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“Há aqui uma aliança entre a comunicação do mundo novo e a forma como a fotografia auxilia essa comunicação”

CONCURSO FOTOGRÁFICO ANACOM

LUCÍLIA MONTEIRO

João Cadete de Matos, presidente da Anacom, quis celebrar o 30º aniversário da empresa com um concurso de fotografia. Porque com o desenvolvimento dos equipamentos eletrónicos, a imagem tornou-se uma importante forma de comunicação. “A fotografia é muito impactante e traduz muito informação”, justifica.

Este foi o primeiro concurso de fotografia que a Anacom promoveu?

De certeza que foi o primeiro concurso durante o meu mandato como presidente do conselho de administração. No passado pode ter havido outro tipo de iniciativas similares, mas não com esta abrangência. É um concurso que decidimos fazer no contexto do 30º aniversário da Anacom, numa parceria com a revista VISÃO, que consideramos frutífera para os dois parceiros. A Visão foi selecionada pelo papel relevante que tem tido ao longo da sua história na comunicação social, mas também pelo conjunto de iniciativas ligadas à importância da fotografia.

Porquê a opção por um concurso de fotografia?

Porque a fotografia é uma forma de arte, por vezes, e de criação das pessoas que retrata a realidade. Neste caso, sublinha-se a importância da comunicação para ligar as pessoas. E permite traduzir essa comunicação na imagem que a fotografia retrata. Este foi um primeiro desafio, a autoridade nacional das comunicações convidar toda a população portuguesa e mesmo estrangeira – houve candidatos de vários países – para, através da fotografia, darem a sua visão e o seu contributo neste concurso. Também reconheço que, em termos pessoais, sempre achei que a imagem valia mais do que mil palavras. Portanto, a exposição que inauguramos no Centro Português de Fotografia, no Porto, vai ter imagens que comunicam muito. Isto é, que ajudam quem visitar a exposição, a ver a importância da comunicação no mundo atual, mas também ao longo da história da humanidade. As comunicações foram sempre uma forma de criar um elo entre as pessoas. Isso é a grande virtude desta exposição. Para concluir, a opção pela fotografia foi por ter muito mais impacto e muito mais conteúdo do que um texto.

O tema da exposição é Comunicar, Ligar, Unir. Mas o que se tem verificado é que esta febre das telecomunicações e dos telemóveis tem contribuído precisamente para uma não comunicação e fomenta a inabilidade social…

Nós podemos ver o desenvolvimento das telecomunicações e, sobretudo, da internet, em que a voz é substituída pelas mensagens de texto, mas também pela imagem. O que é que hoje verificamos? Verificamos que, no caso da imagem, que ela é muito mais fácil de permutar, de registar. Com a fotografia digital deixamos de ter a preocupação das gerações que viveram com o rolo fotográfico, limitado, que apenas permitia obter um conjunto de fotografias e tinha também um custo elevado. Isto era uma limitação grande e todos nós, que usamos o rolo fotográfico, nos lembramos dessa limitação. Hoje, com os nossos smartfones é muito mais fácil termos um registo de imagens. Na prática, todos podemos ser fotógrafos. Aliás, uma das categorias deste concurso foi precisamente um prémio para a fotografia de smartfone. Este mundo digital veio permitir esta facilidade de registar em fotografia todos os momentos importantes, o que é uma revolução fantástica para quem gosta de fotografia. Todos beneficiamos disto. E isto é algo que recompensa o centrarmos muito a nossa comunicação nos instrumentos eletrónicos e, por vezes, desfavorecermos o contacto e a presença pessoal, mas também permite vencer a distância. Aliás, uma das fotografias do concurso é bem ilustrativa de como as pessoas comunicam à distância: num aniversário de um pai que estava longe e conseguia contactar com a esposa e o filho através da imagem e dos suportes digitais. Portanto, permite comunicar à distância, permite comunicar imediatamente, permite partilhar. Quando estamos num sítio podemos partilhar o que estamos a ver com quem gostamos e é a fotografia que permite essa comunicação. Há aqui uma aliança grande entre a comunicação do mundo novo e a forma como a fotografia auxilia essa comunicação. Se pensarmos nos sms, que foi uma das formas de comunicação que os telemóveis começaram por propiciar, no momento em que juntamos as fotografias, a comunicação ficou muito mais rica. Por isso, a distância e esta facilidade de imediatismo é colmatado com esta aliança entre a telecomunicações e a partilha da fotografia.

As fotografias nem todas tem o mesmo significado e conteúdo. Neste concurso vemos isto. E também vemos fotografias que, além destas que são registadas com os equipamentos que trazemos no bolso, são feitas por pessoas que usam as suas câmaras fotográficas, tirando daí todas as mais valias. A exposição é bastante agradável e quem a visitar vai confirmar isso.

Pessoalmente, qual a relação que tem com a fotografia?

Desde muito novo que fui tendo várias câmaras fotográficas, fui fazendo fotografias que registo no meu portefólio. Arquivo-as religiosamente, guardo-as com muito cuidado. Mas mais do que este interesse pessoal, mesmo do ponto de vista profissional, há muitos anos que as minhas apresentações publicas são feitas utilizando fotografias. Se eu quiser falar da importância do roaming nacional, das redes de comunicação ou dos correios a fotografia está lá. Tenho a convicção de que, para quem nos ouve e vê numa apresentação ou discurso, a fotografia é muito impactante e traduz muito informação. Quando a olhamos temos ali, de uma forma condensada, muita informação e conhecimento que pode ser transmitido.

Já trocou a máquina fotográfica pelo telemóvel?

Ah, o telemóvel está aqui no bolso, sempre à mão. Mas as duas existem. Sempre que posso levo a câmara fotográfica, porque permite um conjunto de funcionalidades e de qualidade que o telemóvel não permite.

Esta é uma iniciativa para repetir?

Tivemos muito gosto nesta parceria com a Visão e queremos agradecer a colaboração. Significa que ela, tendo estado ligada ao 30º aniversário, e tendo sido o êxito que foi, porque não repeti-la? Vamos ter com certeza bons motivos, nas várias dimensões das comunicações, para organizar iniciativas deste tipo. E quando algo corre bem está criado um incentivo adicional para fazer iniciativas deste género. Neste caso, estamos muito agradecidos a todos que enviaram as suas fotos, uns mais profissionais, outros completamente amadores. Por isso, há razões para repetir a iniciativa a propósito de outros eventos, celebrações ou até desta ideia de utilizar a fotografia como forma de comunicação. Esta iniciativa também tem o mérito de a Anacom, os autores das fotos e todos os que as virem porem as fotos ao serviço da comunidade, vão ser um instrumento para o futuro, é algo que fica e vai ser perpetuado e vai ser útil. Não se esgota na exposição que hoje inauguramos.