Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Pela Palestina, Stephen Hawking boicota conferência em Israel

Sociedade

  • 333

O físico britânico Stephen Hawking recusou o convite para uma conferência em homenagem ao presidente israelita Shimon Peres devido aos apelos de boicote dirigidos por cientistas palestinianos

"O professor Hawking não participará na conferência em Israel em junho por razões de saúde. Os médicos desaconselharam-no a viajar de avião". Este foi o anúncio lançado pela Universidade de Cambridge, onde Hawking trabalha desde 1975.O jornal alemão Suddeutsche Zeitung foi o primeiro a apontar o anúncio como falso, considerando que se tratava de uma adesão ao boicote que se está a preparar.

Hawking sofre uma doença degenerativa do sistema nervoso há mais de 50 anos e, como tal, é obrigado a mover-se e a comunicar assistido por um sofisticado sistema técnico. Mas essa não é a verdadeira justificação pela recusa do físico. Hawking começou por aceitar participar e só depois disse que não, quando foi apelado pelos cientistas palestinianos.

Na carta enviada pelo físico para desmarcar a sua presença, fornecida pelo jornal Guardian, Hawking disse "aceitei o convite para a conferência presidencial esperando que isso me permitisse expressar a minha opinião sobre as perspectivas de um acordo de paz. No entanto, recebi uma série de e-mails de académicos palestinianos. Acham que eu deveria respeitar o boicote. Tendo isto em conta, tenho de retirar-me da conferência".

A decisão do físico foi aclamada por várias organizações palestinianas. Ao aderir ao boicote académico e cultural a Israel, Stephen Hawking une-se a outras personalidades britânicas que recusaram convites para estarem presentes, como Elvis Costello, Brian Eno, Annie Lennox, Mike Leigh e Roger Waters, um dos fundadores dos extintos Pink Floyd.

Hawking é considerado um dos mais importantes físicos teóricos e cosmólogos do mundo e o seu nome foi silenciosamente retirado da lista de participantes no início desta semana, dando um grande impulso aos partidários de grupos palestinos.

O boicote é organizado e impulsionado pela BDS, sigla formada pelas iniciais das palavras boicote, desinvestimento e sanções [a Israel], e representa o movimento iniciado na Palestina em 2005 contra o país. Os palestinianos fizeram um apelo à população mundial para que boicotassem produtos de Israel, evitassem investir no país, retirassem os seus investimentos e pressionassem governos e órgãos internacionais a impor sanções ao país pelos crimes cometidos contra a população nativa.