Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Golfinhos identificam-se 'pelo nome'

Sociedade

  • 333

Reuters

Cientistas da Universidade de St.Andrews, na Escócia, encontraram novas provas de que os golfinhos se chamam 'pelo nome', ou seja, usam um assobio único para identificarem cada um dos outros no grupo

Os investigadores, cujo estudo é publicado esta terça-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, descobriram que os animais respondem quando ouvem o seu próprio assobio reproduzido.

"[Os golfinhos] vivem num ambiente tridimensional, ao largo da costa e sem quaisquer referências visuais e precisam de se manter em grupo. Estes animais vivem num ambiente em que precisam de um sistema muito eficiente para se manterem em contacto", disse Vincent Janik, da unidade de investigação em mamíferos marinhos daquela universidade de St Andrews.

Há muito que se suspeitava que os golfinhos usam assobios de uma forma semelhante à que os humanos usam para os nomes.

Investigações anteriores demonstraram que estes chamamentos são usados frequentemente e que os golfinhos num mesmo grupo conseguem aprender e copiar sons pouco habituais.

No entanto, esta é a primeira vez que se estuda a resposta dos animais ao seu próprio `nome`.

Os cientistas gravaram um grupo de golfinhos-comuns selvagens, captando o som identificativo de cada um dos animais e, de seguida, reproduziram os sons usando altifalantes subaquáticos.

"Reproduzimos os assobios identificativos dos animais no grupo e também reproduzimos outros assobios no seu repertório e depois assobios identificativos de populações diferentes - animais que eles nunca tinham visto", explicou Janik.

Os investigadores descobriram que os golfinhos apenas respondem ao seu próprio som, repetindo o seu som de volta.

A equipa acredita que os golfinhos são como os humanos: quando ouvem o seu nome, respondem.

Janik diz que esta capacidade deverá ter sido desenvolvida para ajudar os animais a manterem-se junto do grupo no seu vasto habitat subaquático.

"A maioria do tempo, eles não se veem, não conseguem usar o olfato debaixo de água... e não costumam ficar na mesma zona, por isso não têm ninhos ou tocas às quais possam regressar", acrescentou.

Os cientistas acreditam ser a primeira vez que esta capacidade é confirmada num animal, embora haja estudos que sugerem que algumas espécies de papagaios usam sons para identificar outros indivíduos no grupo.

Janik explica que compreender como esta capacidade se desenvolveu em diferentes grupos de animais poderá ajudar a perceber como a comunicação se desenvolveu nos humanos.