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A febre da raspadinha

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Este ano, a Santa Casa já derramou no mercado mais de 270 milhões de bilhetes de raspadinhas, o que, contas feitas, dá 26 cartões por cada um dos 10 562 178 portugueses apurados nos últimos Censos. O êxito explica-se com simplicidade: por cinco euros, pode-se ganhar 2 mil euros, pagos ao mês, durante 12 anos - o maior prémio

Um jogo prestes a atingir a maioridade está a mudar os hábitos dos portugueses.

Lançada em 1995, a raspadinha, nome popular da Lotaria Instantânea, passou longo tempo à sombra de sucessos como o Totoloto e o Euromilhões. O seu ano de vitória é este, 2012, confirma a Santa Casa, contabilizando a dúzia de raspadinhas exploradas pelo seu Departamento de Jogos.  

O êxito poderia explicar-se pelo facto de o jogador receber o prémio de imediato, sem ter de esperar por um qualquer sorteio. Mas há mais fatores a ajudar: em 2011, ganhou novo balanço, com o lançamento de apostas temporárias, associadas a festivais de verão ou a programas de TV.

Também há que introduzir nesta equação a novidade que consiste em receber prémios mensalmente, durante vários anos.  Em 2012, o nome Super Pé-de-Meia, e um prémio de 2 mil euros por mês, atribuído ao longo de 12 anos, fizeram o resto.

Em agosto, foram emitidos 4 milhões de cartões para jogar. Dois meses depois, a Santa Casa estava a lançar outros 4 milhões.  E há mais números, que não enganam: em 2010, a raspadinha era uma aposta que rendia pouco mais de 100 milhões de euros. No final do ano passado, já registava um total superior a 207 milhões de euros.

Até fins de outubro último, o número de apostas cresceu 85 por cento. E não, não se trata de uma imensidão de gente à espera de ficar milionária.  Quem joga, na maioria das vezes, quer apenas um dinheirinho para o dia a dia. Oiça-se José Santos, 50 anos, de Portalegre, que só jogou na raspadinha quando soube que tinha ganho 30 euros noutra lotaria. Sentiu-se numa onda de sorte e comprou cinco bilhetes. O prémio saiu--lhe logo no primeiro: 20 mil euros. Gastou-os em férias com a família, depois de pagar dívidas ao banco e dar algum dinheiro aos dois filhos. "Sorte, sorte, era se me saíssem milhões." Mas, pelo sim pelo não, é vê-los jogar e, a alguns, ganhar.  

Só na referida Super Pé-de-Meia, à venda há apenas três meses, já saíram mais de 830 mil euros em prémios. O êxito é de tal ordem que, esta semana, a Santa Casa lançou mais um jogo: a Raspadinha de Inverno.

Num total de 20 milhões de bilhetes, cada um custará apenas uma moeda de 1 euro e oferecerá prémios até 10 mil euros. A receita de toda esta loucura, essa, é, em boa parte, destinada a causas sociais, como a proteção civil e instituições de apoio a pessoas carenciadas. Jogar, insiste a Santa Casa, também é ajudar.