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A moda dos cremes feitos à medida

Sociedade

Getty Images

A indústria dos cosméticos está a apostar em produtos personalizados, com a ajuda de software específico

Catarina Frazão

Cada caso é um caso – é, pelo menos, esse o ponto de partida de uma nova tendência na cosmética. Várias marcas de beleza já disponibilizam produtos personalizados (cremes, bases e máscaras faciais, além de champôs) para satisfazer as necessidades de cada pessoa, adaptando o produto a determinadas características.

Leonor Girão, dermatologista responsável pelo Grupo Português de Dermatologia Cosmética e Estética, lembra que a personalização de fórmulas que levam em conta as intolerâncias de cada paciente é já usada há muito tempo pelos dermatologistas. De certa forma, a cosmética personalizada acaba por ser uma extensão do que já era feito anteriormente. “A vantagem destes produtos é serem apropriados para pessoas com problemas ou doenças específicos”, explica.

Para fazer um creme à medida, uma marca de cosméticos personalizados leva em conta as características da pele e o que o cliente pretende melhorar, mas também, por exemplo, os hábitos alimentares que podem afetar a saúde do cabelo e da pele. Habitualmente, as informações são recolhidas através de questionários online e de selfies, analisados por um algoritmo que define, então, a fórmula adequada.

A Prose é uma das empresas que produzem champôs, condicionadores, máscaras e óleos exclusivos para cada cliente. No questionário do site da marca, são feitas algumas perguntas sobre o tipo de cabelo, os cuidados que se tem, a rotina e o tipo de alimentação. A marca, cavalgando os tempos modernos, oferece ainda a opção de criar um produto livre de glúten e de silicone ou vegano.

Por sua vez, a Artistry analisou e entrevistou mais de 32 mil mulheres, durante quase dez anos, para desenvolver um creme personalizado, o Artistry Signature Select, que promete resolver os principais problemas de pele (secura, oleosidade, tom irregular, linhas finas ou rugas) com um só produto. A partir de um soro-base, o cliente pode escolher para misturar até três de cinco amplificadores concentrados, como controlo de imperfeições, refirmante, redutor de linhas finas, iluminador e hidratação.

Para ajudar os consumidores, a marca desenvolveu a app Artistry Virtual Beauty. “Com apenas uma selfie e um pequeno questionário, pode descobrir o seu mix perfeito”, garante Miguel de Soria Entrena, representante de marketing e relações públicas da Artistry em Portugal e Espanha. A aplicação permite igualmente, através da câmara do smartphone, experimentar outros produtos para descobrir o melhor tom de base ou batom para cada pessoa.

Um kit básico, com um soro de 24 ml e um concentrado de 2 ml, custa €76,75 e está disponível apenas online. “Fórmulas predefinidas em cosméticos já não são relevantes. O consumidor exige produtos inovadores que funcionem exatamente de acordo com as necessidades da sua pele”, justifica Miguel de Soria Entrena.

O representante da marca aconselha a usar o produto “todas as manhãs e noites” e assegura que os resultados “podem ser notados imediatamente; o melhoramento de linhas finas, rugas e manchas escuras notar-se-á após o uso repetido”. As letras pequenas das instruções do produto recomendam que, no fim de cada utilização da substância personalizada, seja aplicado um hidratante – depreende-se que convencional.

Desde o lançamento, em maio, a receção do produto “excedeu as expectativas”, diz o representante da marca. Antes do final do ano, chegará a Portugal a segunda leva de cosméticos personalizados. Em 2020, deverá haver outros lançamentos deste tipo de produtos.

De consumo imediato
A tendência da personalização de cosméticos já chegou aos gigantes do setor. A Lancôme, que pertence à L’Oréal, lançou em 2017 a base Le Teint Particulier, que permite não só criar a cor exata da base mas também adapta ao tipo de pele (seca, oleosa e mista) e cobertura que se pretende (baixa, média ou alta). O processo, feito em loja, demora cerca de 20 minutos e custa €89: um aparelho deteta a coloração de pele e define a tonalidade personalizada; de seguida, a máquina faz as misturas necessárias, tendo em conta as necessidades de cada pessoa. Em Portugal, no entanto, este produto ainda não está disponível.

A Inteligência Artificial, através de software especializado, acaba por ser a grande impulsionadora deste novo passo da indústria da beleza. No entanto, a dermatologista Leonor Girão avisa que “podem ser perigosos os produtos criados só com base em questionários ou selfies, porque não se conseguem identificar bem os problemas”, sem o acompanhamento de um profissional. Realça ainda que a durabilidade de alguns produtos personalizados será mais reduzida por não serem usados conservantes – o que se torna uma desvantagem, na medida em que os produtos sem conservantes “estão mais propensos aos micróbios”.

O preço destes produtos em comparação com os outros, de prateleira, também é uma desvantagem aos olhos da dermatologista, embora admita que, com estes produtos, “as pessoas ficam satisfeitas” porque são feitos “em função do seu problema”.

Apesar de este tipo de produtos personalizável ser orientado especificamente para cada cliente, é importante ter em conta que não há nenhuma fórmula mágica que garanta o resultado perfeito. Com eles apenas se pretende dar uma maior oferta às pessoas que dificilmente encontram algo que funcione para si. Por outras palavras: para quem estiver satisfeito com os produtos comuns e não costume ter alergias, os cremes habituais são suficientes.

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