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Cientistas do Centro Champalimaud desvendam o enigma por trás da Lei de Weber

Sociedade

Getty Images

A Lei de Weber foi formulada há 160 anos e está na génese do estudo da psicofísica. Mas em dois séculos de investigação e progresso científico, nunca ninguém conseguiu explicar objetivamente esta lei. Esta segunda-feira, neurocientistas do Champalimaud desvendaram o mistério

Ernst Heinrich Weber foi um médico alemão que viveu entre 1795 e 1878. O seu nome ganhou um lugar na história da ciência graças à descoberta da Lei de Weber, a regra que diz que a perceção das diferenças de intensidade entre dois estímulos funciona com valores relativos.

Por exemplo, se um indivíduo acerta 75% das vezes quando compara um peso de 1 kg e um peso de 1,1 kg, também acertará 75% das vezes ao comparar um peso de 2 kg e um de 2,2 kg e, de um forma geral, quando comparar qualquer par de pesos em que um deles é 10% mais pesado do que o outro.

Esta descoberta de Weber foi o ponto de partida para a psicofísica, a área científica que estuda as relações entre as sensações e os estímulos físicos. Ao longo dos últimos 160 anos, a lei foi aplicada e comprovada por vários cientistas, ainda que nunca tenha tido uma explicação matemática unanime por trás da própria regra. Têm sido propostas muitas explicações e, apesar de todas conseguirem descrever os resultados de Weber, não foi encontrada nenhuma abordagem experimental que permita identificar quais desses modelos está certo.

Esta semana, foram publicados na revista Nature Neuroscience os resultados de uma investigação que permite finalmente explicar a lei de Weber. Chama-se TIED (Time-Intensity Equivalence in Discrimination, em inglês; ou Equivalência Tempo-Intensidade na Discriminação, em português) e coloca na equação uma nova variável que até hoje não havia sido considerada: o tempo de decisão.

Os tempos de reação e a intensidade dos estímulos estavam ligados: quanto mais intensos, mais curto o tempo de reação. E mais: os cientistas mostraram que a natureza desta ligação era única e matematicamente precisa. Isto fazia com que os tempos de decisão observados, por exemplo na discriminação entre dois estímulos suaves, fossem exactamente proporcionais aos tempos de decisão medidos quando o sujeito discriminava dois sons intensos, desde que as suas intensidades relativas fossem constantes.

Entrevistado pelo Diário de Notícias, Alfonso Renart, líder da investigação, esclarece que esta regra “é tão precisa que só pode ser explicada de uma forma, que explica não só a relação entre os tempos de decisão como explica a própria Lei de Weber porque a inclui, está-lhe subjacente”.

A descoberta revela-se assim um passo importante para o entendimento do cérebro humano e das sensações, uma área tão complexa e ainda com muito por descobrir pela comunidade científica.

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