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A primeira missão de exploração ao lado oculto da Lua pode ter desvendado o segredo do seu nascimento

Sociedade

NICOLAS ASFOURI/ Getty Images

Uma missão de exploração espacial chinesa aterrou, pela primeira vez, do lado desconhecido da Lua e está a desvendar vários mistérios

Uma das grandes incógnitas para a comunidade científica é a composição do manto lunar, isto é, a matéria que existe entre a crosta e o núcleo do nosso satélite natural. Para compreender a sua constituição, a ciência tem-se dedicado a estudar as crateras lunares.

Segundo os cientistas, quando asteroides ou outros objetos colidem com a Lua, formando estas crateras, abrem fendas na crosta lunar e fazem com que pedaços do manto venham à superfície.

Em janeiro deste ano, a missão chinesa de exploração lunar Chang’e 4 aterrou na maior e mais antiga cratera na Lua, a bacia Aitken, que tem cerca de 2500 quilómetros de diâmetro e aproximadamente 3,9 mil milhões de anos.

Dentro da Chang’e 4 ia o pequeno rover Yutu-2, que percorreu pela primeira vez o chamado lado oculto da lua e recolheu várias amostras. As conclusões do estudo destes exemplares reunidos foram publicadas esta quarta-feira na Nature.

Nas amostras, os investigadores chineses afirmam ter encontrado vestígios de olivina, um dos principais componentes do manto terrestre, também na composição do manto lunar. Até hoje, acreditava-se que o manto era constituído por piroxena e, apesar de serem necessárias pesquisas mais aprofundadas, esta descoberta levou a comunidade científica a equacionar a possibilidade de o manto ter ambos os minerais (olivina e piroxena) em iguais quantidades. Se isto se comprovar, pode confirmar a teoria de que a lua se formou a partir de um material perdido pela Terra, após uma colisão com um corpo celeste.

"Compreender a composição do manto lunar é crucial para averiguar se um oceano do magma sempre existiu, como postulado," disse Li Chunlai, autor do estudo e professor dos Observatórios Astronómicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências, em comunicado. "Também ajuda na evolução da nossa compreensão da evolução térmica e magmática da lua”, acrescentou.