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E se o tempo passado nas redes sociais, afinal, tiver um impacto diminuto no bem-estar dos adolescentes?

Sociedade

Getty Images

Um estudo envolvendo mais de 12 mil teenagers no Reino Unido sugere que a influência da família, dos amigos e da vida escolar é maior

Investigadores do Instituto de Internet de Oxford, que pertence à Universidade de Oxford, no Reino Unido, pegaram em dados do estudo longitudinal Understanding Society, recolhidos ao longo de oito anos, e compararam o tempo que os adolescentes gastaram nas redes sociais com os seus índices de satisfação com a vida. O objetivo era perceber se aqueles que as usam mais do que a média são mais insatisfeitos ou se os mais insatisfeitos as usam mais.

A principal conclusão a que os investigadores chegaram contraria a perceção que temos: a ligação entre a satisfação e o tempo passado nas redes sociais é “trivial”, representando menos de 1% do bem-estar dos teenagers, frisou à BBC o psicólogo Andrew Przybylski, diretor de investigação do referido instituto e um dos co-autores deste estudo publicado na PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America), a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Entre 2009 e 2016, foi perguntado a 12 672 adolescentes, com 10-15 anos, quantas horas andavam nas redes sociais num dia normal de escola, pedindo-lhes que avaliassem o grau de satisfação que sentiam em diferentes aspetos das suas vidas. Foram relatados maiores efeitos no caso das raparigas, embora igualmente diminutos.

“Os pais não devem preocupar-se com o tempo que os filhos passam nas redes sociais”, diz Przybylski. “Devemos acabar com esse critério do tempo à frente dos ecrãs.” Mais importante no futuro próximo será identificar os jovens que correm maiores riscos face a determinados efeitos das redes sociais, alerta o psicólogo. Mas para tanto será necessário a indústria libertar informação. “O acesso é fundamental para compreendermos os muitos papéis que as redes sociais desempenham nas vidas dos mais novos”, frisa a sua colega Amy Orben.

Nunca tinha sido realizado um estudo de tão larga escala; mesmo assim, investigadores e autoridades chamam-lhe “um primeiro pequeno passo”. Enquanto os investigadores não têm acesso a mais dados, Max Davie, do Royal College of Paediatrics and Child Health, organismo britânico que reúne pediatras do país, lembra que o tempo gasto à frente dos ecrãs não deve interferir com outras atividades essenciais, como dormir, fazer exercício e passar tempo com familiares e amigos. A dica mais importante? “Evitar a utilização de tecnologias uma hora antes de ir para a cama.”

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