Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Não trate o seu animal de estimação como uma pessoa

DR

Conselhos de Ângela Xufre, Doutorada em Biologia Molecular e administradora do laboratório de veterinária DNAtech

Cães e gatos são muitas vezes vistos como um membro da nossa família. Mas não nos podemos esquecer que são animais com necessidades bem diferentes dos humanos - desde certas comidas a roupas e mimos exagerados, o que nos faz bem a nós pode fazer-lhes muito mal.

Alimentação

1. A alimentação do animal de estimação deverá ser exclusivamente ração, visto que esta é elaborada de forma equilibrada, garantindo todos os nutrientes necessários ao bem-estar animal. Desta forma, a introdução de outros alimentos pré-confecionados resulta num desequilíbrio nutricional. Exemplo: Pão, bolachas e outros doces podem resultar em animais obesos e diabéticos; Refogados contêm cebola que poderá ser tóxica para os cães;

2. Manter o leite depois dos 4/5 meses de idade (mesmo nos gatos). A partir desta idade os animais deixam de produzir lactase, a enzima responsável pela degradação da lactose. A administração de leite após esta idade pode levar ao desenvolvimento de alergias alimentares.

Saúde

1. Com a humanização dos animais de estimação, estes acabam por passar muito tempo em casa e muitos dormem com os seus tutores. Para evitar os cheiros, muitas vezes são dados banhos excessivos aos animais. Estes têm uma barreira protetora na pele que será alterada diminuindo as defesas do animal (mesmo recorrendo a produtos específicos para animais);

2. A utilização de vestidos e capas protetoras também pode interferir nessa barreira protetora da pele, podendo levar ao aparecimento de reações alérgicas.

3. Medicamentos de uso humano sem prescrição veterinária é completamente contraproducente nos animais de estimação. Exemplo: O paracetamol e o ibuprofeno são medicamentos anti-inflamatórios/analgésicos/antipiréticos usados com muita frequência em medicina humana, mas tóxicos para os cães e gatos. As doses mais baixas de paracetamol (250mg) ou de ibuprofeno (300mg) podem ser tóxicas para eles e potencialmente letais. Os gatos, em particular, têm uma deficiência enzimática no fígado que dificulta a metabolização e excreção destes medicamentos. Antes de medicar o seu animal de estimação consulte sempre o médico veterinário.

Comportamento

1. Muitos animais são tratados como filhos, levando mimos excessivos e não lhes sendo impostos quaisquer limites. Muitos deles são levados a passear ao colo onde o tutor não permite o contacto com outros humanos e outros animais. Estes comportamentos poderão conduzir a animais agressivos, quer para outras pessoas, quer para outros animais. A socialização dos animais é de extrema importância para que possam coabitar, evitando desta forma problemas de agressividade futura.

2. Subestimar a importância do treino específico mesmo em situações de animais considerados de raça potencialmente perigosa (apenas porque a sua força quando não controlada pode causar danos sérios). É vivamente aconselhado recorrer a treinos em escolas específicas, para ensinar o tutor a controlar o seu animal de estimação. Esta formação poderá evitar problemas futuros, consequência da força destes animais.

3. Não permitir desde cedo (após plano vacinal completo) o contacto com outros animais quer da mesma espécie quer de espécies diferentes. Permitir a definição de hierarquia (definição de matilha), permitir que o animal conheça os seus próprios limites e força. Isto pode passar por deixar os animais terem uma “zanga” com animais maiores, permitindo assim que o animal passe a respeitar animais de grande porte. Em condições normais, os animais não se aleijam e tornam-se mais agressivos quando os tutores interferem no momento do confronto. Quando tal acontece, os animais ganham confiança e atacam os outros animais. Assim, aconselha-se a que os tutores permitam o confronto sem interferirem (mantendo-se apenas por perto) para que o animal tome consciência dos seus próprios limites e força.

Beleza

Começam a surgir alguns tutores que pintam o pêlo e as unhas dos seus animais de estimação. Estas tintas na sua maioria são tóxicas para os animais e a sua ingestão, através das lambidelas, podem levar a intoxicações e até à sua própria morte. A utilização de lacas e perfumes também não é adequada ao pêlo dos animais e pode resultar em reações alérgicas.