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Homicidas: entre o arrependimento e a indiferença

Sociedade

Marcos Borga

Estudo do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro com 30 reclusos condenados por homicídio revela emoção e frieza

Foi na fase das entrevistas para uma pesquisa do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro que alguns dos 30 reclusos estudados, todos condenados por homicídio e a cumprir penas em várias cadeias do País, quebraram. "Mostraram arrependimento por meio de palavras e, em certos casos, com alguma emoção nas descrições das situações", diz à VISÃO Dulce Pires, coordenadora da pesquisa.

Mas entrar no reduto de uma população homicida significa encontrar um pêndulo. Se houve "indivíduos que consideravam não ter desculpa para o ato, outros não se manifestaram nesse sentido, e outros ainda evocaram fatores situacionais, como uma reação de momento - por exemplo, no meio de uma discussão -, para o desfecho que culminou no crime", relata a especialista.

De uma forma geral, estes reclusos querem refazer as suas vidas após o cumprimento da pena, embora receiem o estigma social. E "não é por norma equacionado pelos próprios que voltem a matar". Aliás, explica Dulce Pires, "o homicídio é o resultado de múltiplos fatores".

O pêndulo regressa quando se aborda o "peso na consciência". A palavra à especialista: "Há indivíduos que apresentam esse sentimento de 'algo que levaram para sempre', enquanto outros manifestam indiferença."