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A fase crítica da gripe está a chegar

Sociedade

José Carlos Carvalho

A Direção-Geral de Saúde nega que esteja instalado o caos nos serviços de saúde, mas admite “picos de procura” devido à gripe. Quase cinco mil pessoas recorreram aos centros de saúde no fim-de-semana na região de Lisboa e Vale do Tejo e o Hospital Amadora-Sintra abriu mais 71 camas para responder ao aumento dos internamentos

Vânia Maia

Vânia Maia

Jornalista

À VISÃO, a diretora-geral de saúde, Graça Freitas, compara a evolução epidemiológica da gripe com uma montanha: “Só sabemos que atingimos o pico quando começamos a descer.” Apesar da imprevisibilidade, é expectável que o período crítico da atividade gripal se concentre nas próximas duas semanas.

No primeiro fim-de-semana do ano, quase cinco mil pessoas recorreram aos centros de saúde de Lisboa e Vale do Tejo que alargaram o horário de atendimento no âmbito do Plano de Contingência de Inverno. Os Agrupamentos de Centros de Saúde com maior procura nas últimas 48 horas foram o da Arrábida com 621 atendimentos, o de Oeste Sul com 563 e o de Loures/Odivelas com 449. Cinquenta e quatro centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo, com um universo de 3,6 milhões de utentes, vão manter o alargamento de horário até 28 de janeiro.

Atualmente, a epidemia da gripe tem um carácter ligeiro a moderado (mais intenso a norte e mais fraco no centro e sul). No entanto, no final da semana passada o Centro Hospitalar Lisboa Norte (que inclui os hospitais Pulido Valente e Santa Maria) registou 900 episódios de urgência em 24 horas e foram abertas 40 camas extra para internamento face a um aumento médio de 100 doentes por dia, comparativamente a igual período no ano passado.

De acordo com o Hospital de Santa Maria, a afluência à urgência está normalizada, mas o tempo de espera às quatro e meia da tarde de hoje para casos urgentes rondava uma hora e um quarto, ultrapassando em quinze minutos o tempo máximo recomendado pelo sistema de triagem de Manchester.

No fim-de-semana a Bastonária da Ordem dos Enfermeiro declarou estar “o caos instalado na maior parte das urgências do país”. Ana Rita Cavaco destacou o caso do Hospital de Faro que, na altura, estaria com um tempo de espera de seis horas para os doentes muito urgentes. A Bastonária apelou aos conselhos de administração dos hospitais para dizerem a verdade sobre as dificuldades que estão a ter.

A Direção-Geral de Saúde (DGS) nega que esteja instalado o caos nos serviços de saúde. No entanto, admite “picos de procura pontuais” que aumentam os tempos de espera e dificultam o internamento.

A Administração Regional de Saúde do Algarve anunciou esta segunda-feira o alargamento do horário de atendimento dos serviços e a disponibilização de 20 das 40 camas previstas no plano de contingência, além do reforço dos profissionais de saúde.

Também o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) anunciou ter hoje aberto mais 71 camas, depois de contabilizar cerca de 700 utentes diários nas urgências nos últimos dias, estando a taxa de internamento acima dos 10%.

O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho registou um aumento de 25% dos doentes que se dirigiram à urgência na semana passada e uma média de 40 internamentos diários.

No final da semana passada, as regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo já tinham aberto 80% das camas extra previstas para fazer face ao surto de gripe. O Plano de Contingência prevê 258 camas a Norte e 700 em Lisboa e Vale do Tejo. O Serviço Nacional de Saúde foi também reforçado com 144 enfermeiros, mas a contratação de enfermeiros será reforçada até ao final de março anunciou o primeiro-ministro, António Costa, no fim-de-semana.

A DGS recomenda que, antes de se dirigem ao centro de saúde, os utentes entrem em contacto com o serviço telefónico SNS 24 para aconselhamento e encaminhamento: 808 24 24 24.