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Robô em fase de protótipo poderá ser os olhos de um bombeiro

Sociedade

Alunos da Universidade de Aveiro estão a desenvolver um aparelho que pode ajudar os operacionais em cenários críticos, como incêndios urbanos e industriais, colapsos parciais, grutas, minas, demolições e operações de reconhecimento, busca e salvamento. Só lhes falta um mecenas que decida apoiar a ideia e criar uma solução comercial

Com 1,5 kg e 23 por 28 centímetros, o robô pode medir condições ambientais como a temperatura, humidade, concentração de monóxido de carbono e presença de focos de incêndio

Com 1,5 kg e 23 por 28 centímetros, o robô pode medir condições ambientais como a temperatura, humidade, concentração de monóxido de carbono e presença de focos de incêndio

Entre fevereiro e junho deste ano, um grupo de 15 estudantes de Engenharia Eletrónica e Telecomunicações da Universidade de Aveiro, andaram às voltas na criação de um robô que, na prática, poderá vir a ajudar a salvar vidas. Em cenários de catástrofe, como o recente incêndio urbano que destruiu a torre Grenfell, na zona oeste de Londres, teria sido útil para os bombeiros vasculharem os 127 apartamentos, espalhados por 24 pisos. Graças a um software e um hardware desenvolvidos de propósito para este aparelho, o robô consegue fazer o mapeamento tridimensional, mas sem uma câmara. Como explica à VISÃO Pedro Martins, 21 anos, um dos alunos envolvidos no projeto, “num ambiente com fumo ou pouca luminosidade, a câmara tem limitações em ver em profundidade. O que nós fizemos foi tirar o relevo do interior, ou seja, não nos interessa saber a cor de uma parede, mas sim, se ela está deformada, inclinada ou se tem um buraco.”

Neste Projeto de Engenharia Eletrónica do Mestrado Integrado o objetivo era desenvolver algo que se aproximasse de um produto com utilidade e um fim, além da emulação de uma empresa, sem esquecer a componente de marketing (com website e páginas nas redes sociais para divulgação). Parece que estão a conseguir. Atualmente, em fase de protótipo, o robô ainda tem algumas limitações. “Queremos que o robô seja autónomo, isto é, quando colocado dentro de um edifício, por exemplo, não precise de um operador humano. Isso permite que o responsável pelas operações de resgate ou salvamento esteja apenas preocupado com a informação recebida e não com o manuseamento do aparelho”, esclarece Pedro Martins.

Junto dos Bombeiros Voluntários Aveiro Velhos e da Proteção Civil de Aveiro, a equipa percebeu melhor as necessidades de quem anda no terreno. As autoridades referiram que é preciso que o robô seja rápido, de forma a chegar mais depressa do que as pessoas; tenha incluído uma câmara, porque é preferível ter imagens de fraca qualidade do que não ter nada; reforçar a capacidade de enviar informação para o exterior em tempo real.

Para passarem à segunda fase, onde são corrigidas as limitações encontradas, os estudantes precisam de 500 euros para comprar materiais. No futuro, gostavam que algum mecenas apoiasse a ideia, criando uma solução comercial. Como vão estar presentes na feira tecnológica Techdays Aveiro, de 12 a 14 de outubro, poderá ser uma boa oportunidade para quem quiser investir ver o robô em ação.