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Trabalharia uma hora extra sem ser pago? E nos feriados?

Sociedade

Reprodução SIC

Durante 3 anos, o eletricista Tomé António fez horas extra e feriados sem ser pago. Decidiu reclamar. Foi por isso, segundo afirma, que acabou despedido por justa causa

João Nuno Assunção, da SIC

Tomé António deixou a Auto-Europa para ser electrista numa empresa do Parque das Nações, em Lisboa, porque precisava de 4 anos de experiência para obter a carteira profissional.

Ao fim de 3 anos, juntamente com um colega, exigiu que a empresa pagasse os feriados e as horas extra que faziam no verão. Por causa disso, garante, foi retirado dos “gratificados” - 2h que os electromecânicos trabalhavam, extra-horário, e que representavam 1/3 do salário. “Era um castigo que a coordenadora aplicava porque sabia que essas 2 horas extra faziam-nos falta”.

A partir daí, a vida de Tomé nunca mais se endireitou. 15 dias depois de ter ido à Inspecção de Trabalho, a empresa instaurou-lhe um processo disciplinar, sendo despedido, com justa causa, por recusar entregar balões às crianças, fazer limpezas, controlar os bilhetes, abandonar o posto de trabalho, sair mais cedo e dar uma falta injustificada.

PERDEU A CASA, O CARRO E A FAMÍLIA

Tomé garante que as provas foram “inventadas” e que as testemunhas mentiram. Atira a culpa para os seus advogados. “Tomara que existisse uma lei que me permitisse fazer a minha própria defesa. Eu não precisava desses advogados!” Tem protestado, erguendo cartazes à porta da ordem dos Advogados, acusando dois advogados de negligência na condução do seu caso.

O electricista nunca mais conseguiu arranjar um emprego estável. Aos 50 anos, vive de biscates e perdeu tudo o que fizera dele um emigrante de sucesso: a casa, o carro e...a família. A mulher, dona de uma salão de cabeleireiro, não aguentou a pressão das dívidas e divorciou-se. Os filhos mal lhe falam. Quando lhe perguntam se se arrepende de ter reclamado direitos laborais, diz prontamente, não. “Se há algo que eu detesto é a injustiça”.

Um trabalhador com a “vida suspensa", um episódio para ver segunda-feira depois do Jornal da Noite, na SIC.

"Vidas Suspensas" é um programa de informação, da SIC, da autoria da jornalista Sofia Pinto Coelho, que aborda casos de pessoas que, por questões relacionadas com a justiça, se encontram com a vida em suspenso. Este programa semanal de 8 episódios, emitido semanalmente, às segundas-feiras, logo a seguir ao Jornal da Noite, na sic.pt