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Há uma Almofada para encostarmos a cabeça e nos rirmos com as caixas de comentários

Sociedade

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Aqui falamos de um podcast onde se pode recostar para passar uns bons cinco minutos a delirar com o que aparece escrito nas caixas de comentários das notícias online. Uma forte lufada, perdão, Almofada de Ar Fresco

Na impossibilidade de fazer rádio de forma mais continuada e profissional, André Marques Santos, 28 anos, atirou-se aos podcasts. Durante um ano publicou um episódio semanal, às quartas à tarde, de uma crónica humorística a que chamou Almofada de Ar Fresco. Depois de uma pausa estival, está de regresso às ondas da internet, no iTunes e no Soundcloud, com cerca de cinco minutos de um texto leve e despretensioso. E com graça, por isso lhe agradecemos.

A sua fonte de inspiração não podia ser mais rica - as caixas de comentários das notícias online. Neste momento, a maior dificuldade que enfrenta é a de decidir por onde caminhar semanalmente, porque se perde no meio de tanto material. "Não posso passar muito tempo neste mundo cibernético, sob pena de ser mentalmente consumido." Não se pense que a finalidade de André é gozar com quem se atreve a escrever comentários, mas antes rir-se da leviendade de quem se esconde atrás de um perfil para dizer as coisas mais inesperadas.

Se o resultado é bom (vá lá ouvi-lo aqui ou ali) - e é, apesar de se notar uma ligeira colagem ao estilo Tubo de Ensaio (TSF), à la Bruno Nogueira - só pode ser atribuído ao autor André Marques Santos, pois não há mais ninguém envolvido no processo criativo.

Nos intervalos do seu trabalho enquanto assessor de imprensa, ele escolhe as duas notícias que entrarão no episódio, escreve, com humor, sobre elas, vai aos estúdios da Universidade Autónoma, em Lisboa, dar voz ao seu texto, e regressa a casa para se dedicar à edição, juntando músicas e genéricos. Por fim, faz o upload para as plataformas de distribuição de podcast.

No final deste trabalho intenso, não ganha nem um cêntimo. Ou melhor, ganha no prazer que lhe dá pôr mais um episódio no ar. "Disponho de total liberdade para produzir, sem amarras, e a possibilidade de mostrar, a cada vez mais pessoas, aquilo de que sou capaz." E ainda tem a lata de assumir que este é o seu território espontâneo, inato. Ponham os ouvidos nisto, acabado de sair da pena do seu criador.