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Se vai usar a nova app de mensagens da Google, vai querer saber o que pensa o ex-espião Edward Snowden

Sociedade

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Rob Stothard

O Allo está a chegar a Portugal para fazer concorrência a outros sistemas de mensagens instantâneas no telemóvel, como o WhatsApp e o iMessenger. A ferramenta de respostas rápidas cria um dilema aos utilizadores

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

"É perigoso, não usem." É este o conselho de Edward Snowden para quem está a pensar descarregar o Allo, o sistema de mensagens instantâneas para telemóveis que a Google lançou esta semana.

O ex-espião da NSA, que denunciou o esquema de vigilância ilegal da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos e está desde então exilado na Rússia, dirige o aviso, sobretudo, aos utilizadores mais inexperientes, incapazes de entrar num qualquer menu de definições e alterar uma opção de segurança.

Ao contrário do que acontece com outras plataformas semelhantes, o Allo guarda por defeito, e por tempo indeterminado, todas as mensagens trocadas através da aplicação, mantendo-as acessíveis, por exemplo, mediante um pedido de investigação por parte das autoridades - e aqui Snowden lembra que, nos Estados Unidos, estes pedidos são sempre aceites. Para as comunicações não ficarem guardadas, os utilizadores do Allo têm de as apagar ou escolher a conversação em modo incógnito - enquanto a maior parte da concorrência encripta logo à partida todas as comunicações ou as deleta automaticamente.

Em meia dúzia de mensagens na sua conta de Twitter, Snowden cita artigos de jornal como alerta para o facto de o Allo, no seu entender, não salvaguardar a privacidade dos utilizadores, em resultado de uma inversão de prioridades relacionada com a ferramenta de resposta rápida, que a Google acredita ser uma das mais-valias da aplicação. A empresa tinha anunciado que iria conservar o histórico de mensagens apenas provisoriamente, mas recuou nessa intenção para proporcionar um melhor desempenho desta recurso inovador em relação à concorrência: à medida que a aplicação for conhecendo cada vez mais o utilizador, será capaz de fornecer-lhe opções de resposta de acordo com o que ele quer escrever, evitando assim que tenha de clicar em todas as letras para digitar a mensagem. Em vez disso - é pelo menos essa a intenção da equipa que desenvolveu o projeto - bastará selecionar a frase e clicar para enviar a mensagem.

Para ser mais eficaz, esta ferramenta precisa de conhecer o máximo de informação sobre o utilizador e daí a necessidade de armazenar as comunicações. No fundo, a Google abdicou de mais segurança em detrimento de uma funcionalidade mais eficiente, na esperança que esta última tenha mais peso na ótica do consumidor.

Disponível para Android e iOS, o Allo traz ainda outras diferenças para os principais concorrentes, o WhatsApp e o iMessenger. A juntar à resposta rápida, o utilizador poderá a qualquer momento 'chamar à conversa' o assistente Google, que tanto oferece sugestões sobre os melhores restaurantes da zona como o melhor caminho para lá chegar, consoante a ajuda requisitada no chat. E os amigos presentes na conversa também visualizam estas informações. Para combinar uma ida ao cinema, por exemplo, podem aceder ao cartaz e escolher o filme ali mesmo.

OS TWEETS DE SNOWDEN: